O maior de todos. Ao
tocar a borda em primeiro lugar nos 50m costas da classe S5, em 34s99, nesta
quinta-feira, Daniel Dias fez mais do que quebrar o recorde mundial e esticar sua rotina
de ouros nos Jogos Paralímpicos de Londres. Fez história. E por mais clichê que
pareça a definição, ela se torna inevitável diante da vitória que coloca o
paulista de Campinas como maior atleta paralímpico do Brasil em todos os
tempos. Daniel iguala Clodoaldo Silva e Ádria Santos com 13 pódios, mas se destaca ao subir pela
oitava vez no degrau mais alto.
Daniel
dominou a prova toda nesta quinta-feira. Garantiu seu quarto ouro em Londres
sem dar chance para o principal rival, o chinês Junquan He, que ficou com a
prata ao cravar o tempo de 36s41. O bronze ficou com o húngaro Zsolt Vereczkei
(38s92).
E a bagagem de volta para o Brasil pode ser ainda
mais pesada: ele ainda tem os 50m borboleta, os 100m livre e o revezamento
4x100m medley pela frente. As
próximas provas, inclusive, fizeram com que Daniel Dias evitasse maiores
comemorações da marca alcançada nesta quinta. Preocupado em não perder o foco,
o nadador deixou a festa para depois de sábado, quando se despede dos Jogos de
Londres.
Nos 400m, o sabor de
decepção foi inevitável. Andre Brasil carregava
na bagagem o ouro de Pequim, mas não conseguiu sequer uma medalha em Londres.
Nada como um dia após o outro. Nesta quinta-feira, 24 horas depois de amargar a
derrota, o brasileiro voltou ao lugar onde se sente à vontade: no alto do
pódio. Nos 100m livre S10, cravou 51s07 e garantiu o ouro com direito a recorde
paralímpico. De quebra, puxou uma dobradinha nacional com o pernambucano
Phelipe Rodrigues, que levou a prata com 52s42. O bronze também foi verde e
amarelo, mas com outro sotaque: o australiano Andrew Pasterfield chegou em
terceiro com 52s77.
Foi a quinta
medalha de Andre Brasil nos Jogos de Londres, a terceira de ouro. E desta vez
ele teve companhia no pódio. Durante a execução do Hino Nacional, o campeão
olímpico chamou Phelipe para subir no degrau mais alto do pódio. Juntos, os dois
cantaram o hino emocionados.
Com uma coleção de
medalhas paralímpicas na bagagem, Edênia Garcia caiu na piscina nesta
quinta-feira disposta a mostrar que não está em Londres para brincadeira. Dona
do terceiro melhor tempo das eliminatórias dos 50m costas S4, ela parecia no
rumo de repetir o resultado na final. Fazendo jus ao apelido de Fênix,
ressurgiu na hora certa: mostrou força no fim da prova, bateu a chinesa Juan
Bai e arrancou uma prata, a primeira medalha da natação feminina brasileira nas
Paralimpíadas de Londres. Com o tempo de 53s85, a nadadora, que treina no Rio
Grande do Norte, garantiu o pódio para o Brasil e ficou atrás apenas da
holandesa Lisette Teunissen, que sobrou na disputa com 51s51.
Tricampeã mundial,
Edênia mantém a tradição de voltar dos Jogos Paralímpicos com medalhas: ela já
tinha conquistado a prata em Atenas 2004 e o bronze em Pequim 2008. Em Londres,
apostava na experiência para arrancar o ouro. Não deu, mas a reação na reta
final para levar a prata teve sabor dourado.
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