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Coluna do Vôlei - O fim de uma era vitoriosa



Acabou. Depois de quase nove anos, e centenas de títulos entre Circuitos Mundiais, Brasileiros, Pan-Americanos e Campeonato Mundial, Juliana e Larissa fecharam a parceria com chave de ouro. Apesar da última medalha da parceria ser um bronze no Circuito Banco do Brasil de Vôlei de Praia, o que importava era o momento festivo. Após mais de 1000 vitórias jogando ao lado de Juliana, Larissa quis dar um tempo. Como quase toda mulher, deseja realizar o sonho de ser mãe. Num esporte com um calendário tão apertado quanto é o do vôlei de praia, é difícil achar tempo para se dedicar a essa complexa arte. Ou adiaria o sonho, ou teria que largar tudo, no que a capixaba escolheu a segunda opção.

Tudo começaria em 2002, quando as duas jogariam juntas o Mundial Sub-21 da modalidade, porém, Larissa acabou se machucando e Juliana teve de disputar o mundial jogando com Taiana, e a dupla formada às pressas levou o título do torneio. Quando finalmente Larissa voltou da lesão, o acaso "lesionou" o joelho de Juliana, que acabou no estaleiro por 8 meses. Na volta, Juliana voltou a fazer dupla com Taiana, enquanto Larissa jogava ao lado de Ana Richa. Após o Pan-Americano de Santo Domingo-2003, quando Larissa conquistou o bronze da competição ao lado de Ana Richa, e Juliana estava em parceira com a tarimbada medalhista de ouro olímpica Jaqueline, as duas duplas acabaram e em 2004, finalmente, Juliana e Larissa passaram a jogar juntas.

Nessa 1ª temporada juntas, conseguiram vencer sua primeira etapa de Circuito Mundial, em Mallorca (ESP). Porém, ainda não eram a principal dupla, Adriana Behar e Shelda estavam na ativa, e no ano, haviam conquistado os títulos do Circuito Mundial e Brasileiro, além da prata na Olimpíada de Atenas. As coisas começaram a mudar em 2005, quando a dupla novata conseguiu os títulos dos circuitos mundial e brasileiro, e a prata no Campeonato Mundial, ofuscando Shelda e Behar. E a dupla, cada vez mais entrosada, continuava passando o rolo compressor contra as adversárias. Em 2006 e 2007, nova dupleta com os títulos dos circuitos, e ainda o ouro Pan-Americano e o bronze no Mundial de 2007.

O título mundial ainda não chegava, mas as esperanças pelo título olímpico em Pequim eram altas. 2008 tinha tudo para ser um grande ano para as atletas brasileiras. Mas, na etapa francesa do Circuito Mundial, Juliana sofreu a mesma lesão que adiou o início da parceria com Larissa para 2004. Caiu mal após uma cortada e acabou rompendo os ligamentos do joelho, adiando o sonho do ouro olímpico. Larissa teve de prosseguir a preparação olímpica com Ana Paula - que vinha fazendo uma ótima temporada com Shelda, mas ficaria de fora da Olimpíada por não possuir pontuação suficiente para preencher uma das vagas brasileiras na competição. A dupla teve bom início olímpico, mas o pouco tempo de jogo da dupla pesou contra as norte-americanas Walsh e May, eternas carrascas das duplas brasileiras.

Em 2009, Juliana estava de volta e trouxe junto com Larissa mais um título do Circuito Mundial, e ainda teria a disputa do título mundial, que era uma das duas conquistas que faltavam à dupla além da Olimpíada. Infelizmente, a dupla acabou sendo batida na final pelas norte-americanas April Ross e Jennifer Kessy, a dupla n° 2 de seu país. Não era hora de se abater, o ciclo de Londres-2012 ainda estava no início, e elas confirmaram isso voltando a fazer a dupleta de circuitos em 2010. 2011 foi a quarta tentativa da dupla de conquistar o Mundial do Vôlei de Praia. E finalmente, Juliana e Larissa conseguiram ser bem sucedidas, levando o ouro após uma dura partida contra as gigantes Walsh e May. Foi um ano ótimo para as brasileiras, que ainda levaram os títulos dos circuitos brasileiro e mundial, e ainda o Pan-Americano.


Repetiam-se assim, as expectativas pré-olímpicas de findar o jejum olímpico brasileiro no Vôlei de praia feminino, que desde 1996 não conquista um ouro. Desta vez, não rolou problemas e a dupla seguiu normalmente como uma das grandes favoritas ao lugar mais alto do pódio. Nas 5 primeiras partidas, da primeira fase até as quartas de final, partidas tranquilas, fazendo valer seu favoritismo. Na semi-final, elas encontrariam as algozes do Mundial de 2009 novamente, Kessy e Ross. Acabaram sucumbindo novamente, e lá se foi o sonho do ouro indo embora mais uma vez. Acabaram com o bronze, uma medalha que ficou amarga para as expectativas de todos. De consolação, mais uma dupleta nos circuitos brasileiro e mundial.

O sonho do ouro olímpico chegar em 2016, no Rio de Janeiro ficou comprometido, mas a primeira coisa que devemos pensar é no sonho de Larissa, de ser mãe. E torcer por Juliana, que estará ao lado de Maria Elisa (ou por outra dupla que possa surgir) para que tenhamos o fim do jejum de ouros no torneio que acontecerá 20 anos após a consagração de Jaqueline e Sandra nas areias de Atlanta. Sentiremos saudades, foi uma dupla realmente marcante, tanto quanto Adriana Behar e Shelda.

CURTINHAS

Na etapa do Rio de Janeiro do Circuito BB de Vôlei de Praia, o título feminino ficou para Lili/Rebecca, que derrotaram Maria Clara/Carolina por 2 sets a 0, parciais de 22/20 e 27/25. A disputa no masculino deu o título para Bruno e Pedro Solberg, que derrotaram Moisés/Oscar por 2 a 0, parciais de 21/12 e 21/18. O bronze ficou para Evandro e Vitor, que bateram Alison e Emanuel por 2 a 0, parciais de 21/17 e 21/15.


E mais uma atleta entrou para o hall da aposentadoria: Stacy Sykora, que estava retornando da lesão craniana que a atingiu após um acidente automobilístico com a equipe do Vôlei Futuro em 2011 resolveu pedir dispensa ao Urbino (ITA) e largar o vôlei de vez. A atleta alegou não estar jogando o seu melhor e ainda está com parte da visão comprometida, graças as lesões causadas pelo acidente. Recentemente, ela esteve no centro das atenções das manchetes esportivas por assumir sua homossexualidade.

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