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O que acontece com o Engenhão?

Foto: RICARDO MORAES/REUTERS


Um anúncio feito ontem pelo Secretaria Municipal de Obras do Rio de Janeiro e o Consórcio Engenhão determinou que o estádio Engenhão, interditado desde março, ficará fechado por mais 18 meses para reformas. Isso quer dizer que o estádio não receberá eventos até 2015.

O anúncio ocorreu após estudos de engenheiros da prefeitura detectaram falhas estruturais na cobertura do estádio, que, segundo eles, pode colocar os torcedores em riscos em situações de climas adversos.

Isso é o singular. Partindo para o universal, vemos inúmeras partes afetadas. 

Primeiramente Flamengo e Fluminense acharam o pedido do consórcio que detém o Maracanã para mandar seus jogos no estádio muito caro, fechando contrato com o Botafogo para mandar seus jogos no Engenhão. O que não agradou o chefão do novo Maracanã, conhecido por Eike Batista. Logo, ficou fácil para o Prefeito do Rio de Janeiro e o Governador do Estado do Rio de Janeiro resolver dois problemas de uma vez só, fecham o Engenhão e afirmam que não darão dinheiro para as obras, que ficará a cargo de empreiteiras, muito provavelmente aliadas, e também pressionam os clubes cariocas a aceitar a proposta do novo maraca (não, maraca é muito popular para o elitizado Novo Maracanã). Aproveitam e jogam fora também a credibilidade de ser uma cidade olímpica por dinheiro, Barão de Coubertin se revira no túmulo.

Bom lembrar que o Engenhão será sede do atletismo nas Olimpíadas do Rio 2016. Ou seja, a história está longe do fim. Assim como o Velódromo, como afirma o ex-prefeito do Rio, César Maia, “O velódromo é igual ao de Atenas, orientado pela Confederação Internacional de Ciclismo. Antes de 2007 a prefeitura queria um provisório mas o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e a Confederação pediram um permanente. Agora os mesmos atores mudaram o projeto. O velódromo do Pan, pago com recursos federais, custou R$14 milhões. O novo custará R$120 milhões. Estranho”. 

O discurso pode soar um anti-mea culpa, afinal o Engenhão foi construído e inaugurado em seu mandato, mas o discurso de Maia faz sentido no momento em que a empresa alemã SPB (Schlaich Bergermann und Partner), que está envolvida com obras do Maracanã, foi a responsável pela emissão do laudo que fechou o Engenhão.

Pobre Estádio Olímpico João Havelange, já nasceu com o nome e a sina da corrupção do lado do termo sagrado “Olímpico”.

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