Os praticantes de esportes aquáticos que se mobilizaram contra a demolição do Parque Aquático Júlio Delamare, localizado no Complexo Esportivo do Maracanã, conseguiram convencer o governo do Rio de Janeiro a manter as instalações do espaço, inaugurado em 1978. O parque aquático daria lugar às obras de modernização do Complexo do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. O governador Sérgio Cabral anunciou, por meio de sua conta no Twitter, que já comunicou a decisão ao presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes.
- Acabei de falar ao telefone com o presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos. Disse ao Coaracy Nunes que refleti sobre o Júlio Delamare. Tenho ouvido muitas manifestações em defesa da permanência do Parque Aquático no complexo do Maracanã. Coaracy me disse que o governo com isso estaria atendendo à natação brasileira. Diante disso o Julio Delamare está mantido - escreveu Sérgio Cabral.
Por meio de nota oficial, a CBDA afirmou que, em sua ligação para Coaracy, o governador Sérgio Cabral agendou uma reunião para debater a questão do parque aquático. O encontro irá acontecer após o retorno de Coaracy ao Brasil. O presidente da entidade está atualmente em Barcelona, na Espanha, onde acompanha a delegação brasileira que disputa o Mundial de Esportes Aquáticos, até o dia 6 de agosto.
- O Governador conversou amistosamente e disse que está disposto a rever toda a questão. Vamos conversar no início de agosto e temos tudo para chegar a um consenso. O Julio Delamare é um espaço importante demais para o esporte brasileiro, para a comunidade em geral e não pode desaparecer - disse Coaracy Nunes.
Atletas e dirigentes contrários à demolição fizeram protestos em frente ao Júlio Delamare (Foto: Ag. Estado)
O governador do Rio de Janeiro também utilizou seu perfil na rede social para abordar a situação do Estádio de Atletismo Célio de Barros, que também seria demolido, de acordo com o projeto original da cidade para sediar os grandes eventos esportivos dos próximos anos. Segundo Sérgio Cabral, o assunto será abordado em uma reunião com o presidente da Federação de Atletismo do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Lancetta, na próxima quarta-feira.
- Liguei para o presidente da Federação de Atletismo do RJ, Carlos Alberto Lancetta. Marcamos uma conversa nesta quarta-feira para definir o futuro do estádio Célio de Barros. Disse a ele que desejo encontrar a melhor solução para o atletismo do Rio - publicou o governador.
Desde o dia 19 de julho, a autorização de demolição das duas instalações esportivas estava suspensa pela Defensoria Pública da União por um prazo de 30 dias. O pedido de suspensão foi feito por intermédio da direção nacional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que pediu um prazo maior para analisar os documentos relativos ao processo e também para ouvir argumentos de entidades contrárias à demolição. De acordo com o defensor público federal André Ordacgy, a autorização havia sido dada pela coordenação do Iphan no Rio sem a análise prévia da documentação.
Se o governo do Rio de Janeiro não atendesse à reivindicação dos defensores do Parque Aquático Júlio Delamare, a Defensoria Pública da União estava disposta a entrar em contato com o Comitê Olímpico Internacional (COI) para expor a situação e apontar os argumentos contrários à demolição. O dossiê seria analisado por Nawal El Moutawakel, que preside a Comissão de Coordenação do COI para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.
A marroquina Moutawakel, que foi campeã olímpica dos 400m com barreiras nos Jogos de Los Angeles 1984, esteve no Rio de Janeiro em maio, para acompanhar o andamento do projeto olímpico, e mostrou preocupação com a situação dos dois equipamentos, principalmente o do atletismo.
De acordo com o projeto original de modernização do Complexo do Maracanã para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, a área ocupada atualmente pelo Júlio Delamare e o Célio de Barros seria destinada à construção de dois edifícios garagem de 22 metros de altura, com restaurantes, bares e lojas. As novas instalações seriam destinadas também a áreas de entretenimento e espaços de convivência para o público frequentador do local. A concepção original do projeto prevê ainda a remodelação do Museu do Índio, que será transformado no Museu Olímpico.
A concessionária Complexo Maracanã Entretenimento S/A, empresa responsável pela administração do estádio do Maracanã e demais instalações, foi avisada na noite desta segunda-feira (29/07) sobre a decisão do governo do Rio de Janeiro de manter o Parque Aquático Júlio Delamare. A concessionária disse ainda que o governo tem o direito de pedir alterações no projeto e garantiu que vai atuar de acordo com as novas determinações assim que for notificada oficialmente.

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