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Joanna Maranhão revela causas do fraco desempenho no Mundial





Quando entrou na piscina do Palau Sant Jordi, em Barcelona, a pernambucana Joanna Maranhão  carregou um peso sob as braçadas. Não o de competir pela quinta vez um Mundial de Esportes Aquáticos, no mesmo lugar em que deu os primeiros passos na competição internacional há dez anos atrás: a cidade de Barcelona. Mas sim por levar consigo uma cobrança interna. A nadadora de 26 anos se sentiu pressionada psicologicamente e confessa, ao fim do campeonato, não ter ficado satisfeita por ter chegado apenas à semifinal dos 200 metros borboleta. Joanna quer mais. Pode mais, segundo ela própria ratifica. E, mesmo diante de uma disputa de mundial aquém de suas pretensões, não vai tomar isso como mote para desistir. Ela não quer e não vai parar.

A atleta chegou de Barcelona e já pensa nos próximos compromissos. Nem mesmo a crise de pânico que sofreu durante a competição em solo catalão tirou a motivação da nadadora. Ela revelou o motivo da cobrança excessiva que a levou a ficar abalada psicologicamente durante o Mundial.

Confira trechos da entrevista de Joanna ao site Globoesporte.com:

Sobre desistir: "Quando voltei ao Recife, em dezembro, queria parar, mas minha mãe me convenceu a seguir por conta da nossa situação financeira. Tive que continuar. Conversei com o Nikita (atual treinador, que a revelou) e ele me incentivou a driblar esses problemas."

Crise no Mundial: "Cheguei no Mundial e coloquei a minha cabeça nos 200 metros medley. Coloquei que tinha de aparecer, ir bem, para conseguir um patrocínio e renovar os que já tenho para ajudar a minha mãe. Fui com todo esse pensamento para a água e isso é errado, porque acabei passando forte na minha prova e acabei com minhas chances de avançar. Terminei me desesperando logo depois, tive crise de choro, porque fiquei pensando que não ia conseguir ajudar a minha mãe. Quando entrei no ônibus para ir ao Palau no dia do 200 borboleta, se alguém me perguntasse se eu queria ir embora, eu iria. Mas as pessoas me acalmaram e me disseram para eu subir no bloco e apenas nadar. Fui e ainda cheguei perto da minha melhor marca. Fui ainda com esse pensamento de “ter de fazer”, mas teria que me divertir fazendo aquilo, o que não aconteceu. Pensei bem nos outros dias e fui para os 400 medley melhor. Relaxei e nadei para uma marca boa."

Postura nas piscinas: "Não duvido do meu talento. De 2011 para cá, descobri que sou incrivelmente melhor, mas quando chega a hora das competições não consigo ser simplesmente aquela Joanna de Atenas (Olimpíadas de 2004), que chegou lá e fez. Fico pensando que tenho que provar algo e isso é completamente errado, mas é algo contornável. Sou capaz de mudar, não sozinha, mas tenho profissionais ao meu redor, como o Nikita, que podem me ajudar a tirar esse pensamento na competição."

Sobre a aposentadoria: "Falta colocar para fora tudo o que treinei. A gente faz um trabalho duro e quer ter retorno. Quero olhar para o placar e ver que me superei. Ainda não fiz isso. Vou ter a oportunidade de fazer, mas, enquanto isso não acontecer, não vou parar."

Rio 2016: "O resultado está dentro de mim e ele tem que sair de todo o jeito. No Mundial, as pessoas me falavam que eu estava bem treinada, mas eu não consegui colocar isso para fora. Parecia que eu tinha voltado a ser uma iniciante, pois essas coisas estão me abalando. Tenho que entrar na zona de competição, entrar na água, sem pensar nos problemas. Se parar para pensar, eu, com todo esse turbilhão, ainda consegui ficar entre as 16, imagine se eu estiver bem? Acredito que vou estar dentro das piscinas nas Olimpíadas. Vai ser difícil ficar de fora. Eu e Lu (Luciano Correa, judoca da seleção brasileira e namorado da atleta) compartilhamos desse sonho juntos. Mas é importante arrumar a casa antes de ir."

Lições com a natação: "É difícil e complexo falar o que a natação me ensina. Fico pensando se quando eu parar de nadar vou ter esses ensinamentos que a natação me passa. Cada vez que nado mal eu cresço, fico logo pensando em seguida em melhorar. Quando a pessoa nada bem, pode acabar se acomodando. Cresci muito de 2011 para cá e continuo com esse desconforto de não estar “aceitando” a minha natação. Eu quero mais. Vou continuar querendo mais."

Legado: "Ver as crianças me tomando como exemplo é o que mais me motiva também. Às vezes os professores daqui vêm dizer que os pequenos pegam algum detalhe do meu estilo e colocam no treinamento deles. Isso é o mais importante para mim, mais do que resultados."

Fonte: Terni Castro/Globoesporte.com

Foto: Terni Castro

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