Últimas Notícias

China vira "solução" para o Brasil após demolição de ginásio do Delamare





A decisão pela permanência do Parque Aquático Julio Delamare, no Rio de Janeiro, foi motivo de muita comemoração de atletas e dirigentes das modalidades aquáticas brasileiras. A festa só não foi completa porque a desistência da demolição da instalação por parte do Governo Estadual aconteceu apenas quando uma parte do local já tinha virado pó. Sem o ginásio para os trabalhos fora da piscina, os maiores prejudicados foram os saltadores, que, em 2013, já tiveram de passar a maior parte do tempo treinando na China. Enquanto espera pela concretização da promessa do governador Sérgio Cabral de construir um novo equipamento, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) não vê outra solução a não ser manter os atletas no Oriente.  

O mês de abril marcou o início da “guerra” entre a comunidade aquática brasileira e o Governo do Estado do Rio de Janeiro. A instalação seria demolida para a construção de um estacionamento e um prédio comercial para a Copa do Mundo de 2014. O parque aquático foi fechado e, depois da CBDA vencer a batalha, foi reaberto nesta segunda-feira. A mudança de postura, porém, foi muito tarde para garantir a entrega do Delamare intacto. O ginásio de saltos ornamentais, que tinha um tanque seco, cama elástica e uma sala do departamento médico, já tinha sido derrubado.

Há dois meses, o Governo do Estado se comprometeu a construir um novo ginásio, ainda mais moderno, no Complexo do Maracanã. A promessa era de que em seis meses o novo equipamento, que já tem um projeto pronto feito pela Emop (Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro), fosse entregue para a CBDA. Nesta segunda-feira, porém, o secretário de Esportes do Estado do Rio de Janeiro, André Lazaroni, afirmou que a licitação das obras deve sair em fevereiro ou março. Depois disso, segundo o diretor de saltos ornamentais do Brasil, Fernando Telles, precisaria de pelo menos mais seis meses para construir o ginásio.

"O que me dá agonia é que não começa, e cada vez a gente tem que adiar mais isso. Antes era março para ficar pronto. Agora, são mais quatro meses para licitação e, depois, mais uns seis meses para construir. Ou seja, esse ano (2014) vamos ter que manter esse pessoal treinando fora. Não tem outra alternativa. Não adianta ter toda a estrutura de piscina se não tiver uma complementação" - lamentou Fernando Telles.

Este ano, um grupo de promissores saltadores brasileiros fez estágios na China, principal potência da modalidade. O primeiro foi de março a maio. O segundo está terminando agora em novembro, depois de quase três meses. Com os atrasos na construção do novo ginásio, além do fechamento do Parque Aquático Maria Lenk no ano que vem para receber obras para os Jogos de 2016, a solução agora é deixar os atletas treinando no país oriental por mais tempo. Em 2014, a ideia seria dividir os treinos em dois blocos de cinco meses fora do país com dois meses de intervalo no Brasil. Tudo sob a supervisão da nova técnica da seleção, a chinesa Yun Fen.

"É uma demanda inevitável hoje em dia nos saltos ornamentais. Você tem que ter a parte no seco. Hoje, o treinamento é 50% na piscina e 50% no seco. A construção desse tanque seco foi inclusive uma exigência da nossa treinadora chinesa. Essa infraestrutura é fundamental. Sem ela, não há possibilidade de ter a medalha que estamos correndo atrás. Nós temos essa possibilidade de deixá-los treinando na China. Isso não é ruim, mas o ideal era que a gente estivesse isso aqui, até para ficar como legado" - disse o diretor da CBDA, que também é engenheiro.

Além do novo ginásio no Julio Delamare, ainda há um outro projeto em andamento para os saltos ornamentais no Cefan (Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes). Mas, enquanto ambos não saem do papel, o diretor da CBDA já pensa em algum esquema provisório para os atletas usarem quando estiverem no Brasil e para os atletas que não estão participando dos estágios na China.

"Toda vez que eles ficam aqui dois meses caem (de rendimento), porque aqui não tem infraestrutura. Posso fazer alguma coisa ali atrás, colocar umas camas elásticas. Mas, para quem quer ganhar medalha nas Olimpíadas, isso é terrível. Eu mesmo relutei muito em mandar o pessoal para China, mas não tem outra saída" - afirmou Telles, mostrando preocupação com a questão da saudade do país e da família, uma vez que alguns atletas são muito jovens.

Fonte: Lydia Gismondi/Globoesporte.com
Foto: Satiro Sodré/SSPress

0 Comentários

Digite e pressione Enter para pesquisar

Fechar