Em crise, a Petrobras reduzirá o investimento e fará alterações em
seu projeto olímpico de alto rendimento a partir de 2014. A decisão já
foi comunicada às confederações dos cinco esportes contemplados no
programa.
O aporte milionário da estatal não deve mais ser feito via lei de
incentivo ao esporte, na qual se pode deduzir até 1% do Imposto de
Renda.
O novo valor, reduzido, deve sair do orçamento da empresa para patrocínios.
A intermediação do dinheiro, que era conduzida pelo Instituto Passe de
Mágica, dirigido pela ex-jogadora de basquete Magic Paula, também pode
mudar. As verbas podem ser repassadas diretamente para as confederações.
Criado em 2010 com foco nos Jogos do Rio (de 5 a 21 de agosto de 2016), o
projeto contempla atletas de remo, taekwondo, levantamento de peso,
esgrima e boxe.
Nos três primeiros anos, a Petrobras injetou mais de R$ 40 milhões. Só
em 2013 foram aproximadamente R$ 15 milhões, de acordo com Paula.
Mas o montante para o próximo ano permanece incerto.
"A questão pendente é que a Petrobras não sabe se vai ter recurso incentivado em 2014", disse a ex-jogadora.
"Eles [Petrobras] precisam chegar e dizer se têm isso ou não têm nada", completou.
A dirigente afirmou que o instituto só tem reservas até fevereiro para
destinar aos atletas. "A gente consegue levar mais uns dois meses."
A Confederação Brasileira de Esgrima (CBE) afirmou que foi avisada do corte de verba.
"A confederação permanecerá patrocinada para 2014, mas provavelmente em
valores inferiores ao desse ano", disse o vice-presidente da CBE,
Ricardo Machado.
A remadora Fabiana Beltrame afirmou que só foi campeã mundial, em 2011,
por causa deste apoio, que bancou sua viagem à Eslovênia. Ela ganha R$
3.100, vale alimentação, transporte e plano de saúde da estatal.
O projeto havia sofrido corte em junho, mas no número de beneficiados. Da lista inicial de 110 atletas, ficaram 64.
Dos 259 atletas inscritos na delegação brasileira em Londres-2012, 21
eram contemplados no projeto da Petrobras. Três foram medalhistas, os
boxeadores Esquiva (prata) e Yamaguchi Falcão (bronze) e Adriana Araújo
(bronze).
Fonte: Folha de São Paulo/Marcel Merguizo e Paulo Conde

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