Um grupo de
manifestantes foi às ruas do Rio de Janeiro pela quarta vez para protestar
contra a construção do campo de golfe dos Jogos Olímpicos de 2016, em uma Área
de Proteção Ambiental. O movimento liderado pelo “Coletivo de Resistência
Popular Zona Oeste II” e pela “ONG Sociedade do Bem” reuniu aproximadamente 80 pessoas neste sábado, na
Barra da Tijuca. De forma pacífica, os manifestantes também protestaram contra
as obras do hotel Hyatt e a remoção
de moradores de comunidades carentes.
Depois da concentração,
no Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, às 11h, o grupo seguiu em marcha até
a praia da Barra da Tijuca. A caminhada terminou em frente as obras do Hyatt,
que está sendo construído na
Área de Proteção Ambiental (APA) de Marapendi. Com um carro de som e muitas faixas, os
manifestantes reivindicam a paralisação das obras do campo de golfe e do
hotel. “Golfe para quem?”; “Não vai ter golfe”; “Pula, sai do chão, quem é contra
a remoção”; “Golfe para quê, se nem saúde e educação a gente tem?”; foram
algumas das frases gritadas pelo grupo.
Ao chegar no local das
obras do Hyatt, os manifestantes escreveram com tinta branca as frases “SOS
Reserva”; “Fora Paes”; e “Cabral Ditador” no asfalto da Avenida Sernambetiba. O
grupo, que defende a realização do golfe em 2016 no Itanhangá Golf Club, também ateou fogo em
alguns entulhos das obras. A Polícia Militar escoltou o protesto durante todo tempo. Não houve nenhum tipo de violência.
- Já está acabando a
primeira parte das obras do campo de golfe, a terraplanagem. A área já está
sendo mexida. Nós estamos tentando embargar as obras, estamos aguardando um
parecer favorável da promotora Ana Paula Petra. Toda a devastação que já foi feita
é possível recuperar. O que não dá é para avançar mais – explicou a bióloga
Thayana Faskomy, umas das líderes do movimento.
No fim do ano passado,
a Câmara dos Vereadores aprovou a construção do campo de golfe na Barra da
Tijuca, em uma Área de Proteção Ambiental (APA) que estava degradada e cuja
disputa judicial atrasou o início das obras em um ano. A lei também
desapropriou uma parte de vegetação de Mata Atlântica do Parque de Marapendi
para que todos os 18 buracos necessários fossem abrigados. Financiadas pela
iniciativa privada, as obras finalmente começaram em abril deste ano e, apesar
da licença ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, enfrentam ações
na Justiça, além de pareceres contrários do Ministério Público Estadual e de um
biólogo da própria prefeitura.
Sobre a construção do
Resort Hyatt na Área de Proteção
Ambiental (APA) de Marapendi, a empresa enviou uma nota oficial ao GloboEsporte.com se
defendendo das acusações.
- A construção do
Grand Hyatt Rio de Janeiro obedece rigorosamente às normas urbanísticas e
ambientais previstas na legislação. Cerca de 60% da área de 46 mil m2 serão
destinados à regeneração e à preservação da vegetação nativa que vinha sendo
degradada nos últimos 10 anos. O empreendimento também trará
benefícios como a criação de 680 novos postos de trabalho. A Hyatt reitera seu
compromisso de oferecer à cidade do Rio de Janeiro um dos melhores e mais
completos hotéis de sua rede, respeitando os mais altos padrões de
sustentabilidade.
Já a assessoria de imprensa da Prefeitura do Rio de
Janeiro informou que não será divulgado nenhum posicionamento oficial sobre a manifestação
deste sábado.
Foto: Globoesporte.com/Lydia Gismondi
Fonte: Globoesporte.com

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