Comentarista em Sochi, ex-patinador gay reprova boicote e gera polêmica
Faltando menos de um mês para as Olimpíadas de Inverno de Sochi, o ex-patinador artístico Johnny Weir se sente no meio do fogo cruzado. Homossexual assumido, o americano se recusa a apoiar um possível boicote em represália à lei antigay russa e vem pagando caro por isso. Comentarista da emissora americana de televisão NBC durante os Jogos, ele teme que a decisão de um grupo minoritário afete uma vida inteira de sacrifícios de milhares de atletas.
- Eu tenho estado sob muito ódio e vigia da minha própria comunidade LGBT por minha visão das Olimpíadas. Assisti ao sacrifício dos meus pais por tudo e tinha pelo menos uma chance de disputar as Olimpíadas. Eu nunca poderia boicotá-las nem que elas fosses em Pyongyang (na Coreia do Norte), em Uganda, no Irã ou Marte. A equipe americana não é feita só por gays, mas por pessoas que sacrificam suas vidas, as finanças de seus pais, a saúde e às vezes os casamentos para ter uma chance de glória. Como um atleta que viveu isso, eu nunca poderia virar a minha cara para o assunto. A igualdade é necessária em todo mundo, mas as Olimpíadas não são o lugar para levantar essa bandeira - disse Weir, que disputou os Jogos de Inverno de 2010, ficando em sexto lugar.
O presidente russo Vladimir Putin tem defendido as leis do país, que incluem o banimento de propaganda homossexual. Ativistas dos direitos gays esperam que atletas e outras pessoas usem as Olimpíadas de Inverno como um lugar de protesto. Para Weir, três vezes campeão americano, política e esporte não deveriam se misturar. Ele não concorda que grupos ativistas tentem usar a competição como forma de mudança.
- Eu vejo as Olimpíadas como o que elas são: pessoas jovens competindo pelo seu país e pela glória. Não vejo as Olimpíadas como uma forma de protesto político.
Weir, no entanto, quer que sua mera presença na Rússia fale mais alto do que qualquer protesto. Aos 29 anos, ele espera se tornar uma "forte luz" para a comunidade LGBT local.
- Os que me querem mais gay do que eu sou vão se desapontar. E os que me querem menos gay também vão se decepcionar. Quero apenas mostrar para o mundo e para o governo russo que não há nada de bizarro ou errado comigo e com a comunidade LGBT. Não deveríamos ser tratados como párias.
Pela lei russa, pessoas do mesmo sexo que andem de mãos dadas e se beijem em público podem ser multadas em US$ 170 (R$ 400). Os pais de Weir estão preocupados com sua ida a Sochi. Para acalmá-los, o americano diz que o cantor Elton John esteve lá e foi embora com segurança.
- Eu tenho sido chamado de vários nomes e sido odiado por várias frentes. Já fui chamado de espião russo e todas essas coisas sem sentido... Eu definitivamente me sinto em um fogo cruzado. Sinto que não posso dar a resposta certa que todos querem ouvir. Não posso agradar a todos. As únicas pessoas com as quais eu me preocupo são os membros da comunidade LGBT da Rússia, que vivem sob vigilância e têm uma vida dura. Quero estar lá por eles. O ativismo tem que ser contínuo até que as leis da igualdade surjam e gays não sejam vigiados ou jogados na prisão simplesmente por serem gays em público e em frente a uma criança.
Weir acredita que haverá gays protestando com suas bandeiras de arco-íris nas Olimpíadas. E que as pessoas vão querer provocar o governo apenas para serem presas.
- Mas eu também tenho certeza de que haverá gays nas Olimpíadas que querem apenas competir ou apenas assistir ao seu esporte ou atleta favorito.

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