As manifestações de luto na Olimpíada de Inverno de
2014, em Sochi (Rússia), têm se mostrado contraditórias. Embora o Comitê
Olímpico Internacional (COI) tenha prometido homenagens a atletas
mortos, a própria entidade vem torcendo o nariz quando as referências
respeitosas partem de competidores.
O caso mais emblemático foi levado pelos canadenses, que
usaram tarjas pretas no uniforme para homenagear a esquiadora Sarah
Burke, morta em 2012 após um acidente durante treinos nos Estados
Unidos. Delegações como Noruega e Austrália também realizaram
manifestações, embora a snowboarder australiana Torah Bright tenha dito em sua conta no Instagram ter sido proibida pelo COI de homenagear a própria Burke.
“Estou aqui (…) em honra à minha grande amiga Sarah Burke, que deixou
este mundo há dois anos. Sempre compito com um adesivo de Sarah em minha
prancha e em meu capacete. O COI, no entanto, considerou os adesivos
‘manifestações políticas’ e os proibiu”, lamentou. “Sarah é uma mulher
bonita, talentosa e poderosa, cujo espírito continua a me inspirar. Ela é
um grande motivo para que o slopestyle sejam agora eventos olímpicos”,
completou.
Curiosamente, na última segunda-feira (3), o presidente
do COI, Thomas Bach, foi questionado a respeito de manifestações de luto
em entrevista coletiva. Ao ser perguntado a respeito de uma possível
homenagem ao georgiano Nodar Kumaritashvili, atleta do luge que morreu
em acidente em Vancouver (Canadá) às vésperas da Olimpíada de Inverno de
2010, Bach assegurou que o atleta poderia ser homenageado, dando a
entender que algum cerimonial poderia ser realizado em Sochi.
“Nós nos lembraremos de Nodar Kumaritashvili. Isto
acontecerá com a Federação Internacional de Luge, em um encontro que
teremos com as federações de esportes de inverno nos próximos dias”,
disse o alemão. “Haverá também um encontro com representantes com o
Comitê Olímpico Nacional da Geórgia. Também teremos um encontro onde não
apenas nos lembraremos de Nodar, como também iremos discutir como esta
homenagem poderá ser feita na Geórgia e como o Comitê Olímpico da
Geórgia pode celebrá-lo em seu país”, acrescentou.
Os protestos dos atletas diante do veto oficial, no
entanto, foram rapidamente respondidos nesta segunda-feira, uma semana
depois do pronunciamento de Thomas Bach. Questionado sobre as homenagens
de atletas a Sarah Burke, o porta-voz do COI, Mark Adams, afirmou que
nenhum sinal de respeito é proibido, mas pediu para que os competidores
se lembrem da Olimpíada de Inverno como uma possibilidade de celebração.
“Ela (Sarah Burke) precisa sem lembrada, e queremos
ajudar os atletas a lembrar dela de alguma forma. Há vários tipos de
coisas que podemos fazer. Da nossa parte, diríamos que as competições,
que são um local de celebração, provavelmente não são o lugar ideal para
isso. Gostaríamos de manter isso separado”, disse Adams em entrevista
coletiva. “Mas nós absolutamente apoiaremos. Queremos qualquer tipo de
lembrança que os atletas queiram promover”, acrescentou.
Foto: Getty Images
Fonte: Terra/Anderson Régio e Emanuel Colombari

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