A edição do último domingo do jornal britânico Sunday Times
traz uma denúncia gravíssima às vésperas da realização de mais uma Copa
do Mundo. Segundo reportagem especial publicada pelo diário, o catariano
Mohamed Bin Hammam, ex-membro do Comitê Executivo da Fifa e antigo
presidente da Federação Asiática de Futebol, pagou US$ 5 milhões (R$
11,1 milhões) em propinas a dirigentes para ajudar o Catar a ser eleito
sede da Copa do Mundo de 2022.
De acordo com a publicação, há inúmeros documentos -
como e-mails, cartas e transferências bancárias – que provam que Bin
Hammam manteve contatos ilegais com dirigentes africanos, que, embora
não tivessem direito a voto, poderiam influenciar na escolha dos quatro
membros do continente que participariam da eleição, em dezembro de 2010.
Uma “campanha encoberta” de subornos e propinas teria sido realizada
para angariar votos ao país asiático, diz o jornal.
A Kemco, empresa de construção gerida pelo catariano,
teria o controle de dez fundos e realizado o depósito de US$ 200 mil (R$
444 mil) na conta de 30 presidentes de federações africanas. Além
disto, o jornal acusa o ex-membro do Comitê Executivo da Fifa de ter
organizado banquetes e recepções para estes dirigentes, entre os quais
dividiu mais US$ 400 mil (R$ 888 mil), a fim de fortalecer a campanha do
Catar.
O Sunday Times ainda denuncia o pagamento de € 305 mil (R$ 930 mil) de
Bin Hammam ao taitiano Reynald Temari, também ex-participante do Comitê
Executivo, sob a justificativa de "cobrir despesas legais". Suspenso,
Temari não poderia votar na eleição da sede do Mundial de 2022, mas,
segundo o jornal, usou os recursos do catariano para recorrer da punição
da Fifa, adiar sua exclusão da entidade e impedir que seu substituto,
David Chung, votasse na candidatura australiana.
A eleição da sede da Copa do Mundo de 2022 foi realizada em dezembro de
2010, em Zurique, na Súiça. Para se sagrar vencedor, Catar superou
Coréia do Sul, Austrália, Estados Unidos e Japão na rodada final. Antes
disto, a Inglaterra, considerada uma das favoritas, caiu logo na
primeira fase, com apenas dois votos. O resultado chocou o planeta e
estimulou os veículos de imprensa do país a investigarem o pleito.
Naquele mesmo dia, a Rússia foi escolhida para receber o Mundial de
2018.
Foto: Reprodução
Fonte: Terra

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