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Fifa dará em maio veredito sobre corrupção na escolha de sedes das Copas de 18 e 22

Ficou para a primavera europeia de 2015 – ou seja, para o período em que a Fifa vai eleger seu próximo presidente, em maio – o veredito que deverá anunciar os culpados e as medidas a serem tomadas em um dos maiores escândalos de corrupção no futebol mundial: a suposta manipulação de voto nas eleições das sedes das duas próximas Copas do Mundo – na Rússia, em 2018, e no Qatar, em 2022. Uma investigação de mais de um ano, comandada pelo americano Michael Garcia, presidente da Câmara de Investigação do Comitê de Ética da Fifa, reuniu cerca de 200 mil páginas de evidências e concluiu que cartolas da Fifa agiram de forma ilegal na escolha das próximas sedes da Copa.

Os investigadores sugeriram que sejam tomadas medidas contra "certas pessoas". O juiz alemão Hans-Joachim Eckert, presidente da Câmara Decisória do Comitê de Ética da Fifa, encarregado do veredito, confirmou que não apenas os membros ativos da Fifa, mas também ex-cartolas, estão na mira.

Isso significa que o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, está na relação de possíveis implicados. Teixeira, que votou a favor do Qatar, está entre os suspeitos, por conta de suas relações com dirigentes e investidores do país árabe. Ele apoiou Bin Hamman, o presidente da Federação de Futebol do Qatar, para ser presidente da Fifa e cedeu os direitos sobre os amistosos da seleção brasileira à ISE, uma empresa com sede nas Ilhas Cayman cujos proprietários são sauditas, com ligação direta com Hamman.

Por não fazer mais parte do Comitê Executivo da Fifa, Teixeira se livrou de responder perguntas nas investigações. Está exilado nos Estados Unidos. Mas, se for condenado, poderá deixar de ganhar por trabalhos de consultoria da CBF e ter sua aposentadoria suspensa pela Fifa. Outro envolvido no escândalo é o ex-vice-presidente da Fifa, Jack Warner, que teria recebido US$ 2 milhões (mais de R$ 4 milhões, em valor de hoje) do Qatar.

Ao anunciar quando sairá a decisão sobre o caso, o juiz alemão Hans-Joachim Eckert não se arriscou numa data:

– A decisão sairá na primavera – limitou-se a dizer.

Seu julgamento não vai propor a anulação da votação. Eckert foi claro e categórico sobre isso :

– Somos uma Câmara que decide e julga. Nós não vamos fazer nenhuma recomendação. Não é o nosso trabalho. Não é competência das duas Câmaras (uma que investiga, outra que julga).

MUDANÇAS NA FORMA DE ESCOLHA DAS SEDES

Os investigadores pediram para que a Fifa mude a forma de escolher sedes para o Mundial. Mas não recomendaram suspender a Copa do Qatar. Eckert também deixou claro que caberá ao Comitê Executivo da Fifa – e não a ele, como juiz – tomar essa decisão crucial. E explicou assim:

– No relatório de Garcia, tem algumas recomendações sobre as próximas votações. Estou quase certo que a Fifa vai fazer recomendações – disse.

Na manhã desta sexta-feira, num encontro na sede da Fifa para discutir ética no futebol, Eckert disse que doping e corrupção não podem ser tolerados no esporte.

– Não se pode tolerar pessoas que estão usando corrupção para obter vantagens nos jogos. Isso tem que parar por todos os meios. Não é um problema só de esportes : é um problema social, da sociedade.

E defendeu regras claras para "forçar princípios morais e éticos" no esporte:

– Temos que trabalhar por regras claras e prevenção. Não se trata de atletas apenas, é o sistema como um todo. Corrupção precisa ser combatida em todos os níveis – destacou.

Nas abertura do encontro, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, admitiu que é difícil controlar ética fora do campo :

– É fácil controlar futebol quando ele é jogado em campo. Porque tem fronteiras, tem um tempo de jogo e um árbitro. Mas fora do campo, não temos fronteiras, árbitros nem limites no tempo. O que podemos fazer para ter (fora do campo) o que é disciplina, respeito e fair play?

Blatter defendeu criar instituições para isso. E reconheceu, mais uma vez:

– Não é fácil.

Fonte: oglobo.globo.com

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