Um dia depois de o ponta Murilo dizer que os jogadores se sentem
"traídos" pelo ex-presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e
atual comandante da Federação Internacional de Vôlei (FIVb), Ary Graça,
e cogitar um boicote à seleção brasileira, a oposta Sheilla usou a sua conta no Instagram para revelar sua indignação com as denúncias envolvendo a entidade.
Atualmente jogando na Turquia, a atleta bicampeã olímpica
criticou a onda de corrupção no país e lamentou que agora o vôlei tenha
sido atingido. Ao postar uma foto sua com a bandeira do Brasil em preto e
branco, a atleta disse que estava "de luto".
- É lamentável tudo o que vem acontecendo no Brasil. Parece
que a corrupção está em todos os lugares. A cada dia, novas denúncias!
Mensalão, Petrobras e agora até o voleibol está na lista... Uma pena,
porque perdemos nós atletas, perde o esporte que conquistou força
internacional e credibilidade. Até onde vai essa impunidade? Coloquei
essa foto em preto e branco em sinal de luto, tristeza... - afirmou.
Capitão da seleção feminina bicampeã olímpica, a meio de
rede Fabiana Claudino também se manifestou de forma crítica sobre a
polêmica, pedindo que a justiça seja feita e que, no futuro, a CBV 'seja
gerida de forma honesta e correta, para que escândalos como este não
façam mais parte do esporte que tanto amo'. Em nota oficial, Fabiana
avisa que, embora seja capitã da seleção, não fala em nome das
jogadoras, e pede para que suas palavras sejam interpretadas como uma
opinião pessoal.
'A justiça será feita, as provas estão aí e essa indignação
que sentimos não pode nem deve ser ignorada. A imagem que nós atletas
construímos no voleibol internacional é de respeito, amor ao esporte,
dedicação e trabalho, muito trabalho, para que déssemos alegrias aos que
nos cercam, a nós mesmos e ao povo brasileiro. Atleta nenhum joga em
favor ou em nome de entidade, mas precisa que a mesma seja um suporte ao
desenvolvimento do esporte. Pessoas que fazem parte de uma Confederação
deveriam estar lutando junto conosco para o bem e para a evolução do
esporte, ao invés de usarem artifícios para enriquecer de forma ilícita
em cima da nossa luta diária que tanto valorizamos e suamos para
conquistar', diz um trecho do comunicado.
O protesto de jogadores começou tão logo foi divulgado o relatório da Controladoria Geral da União (CGU) constatando irregularidades no valor de R$ 30 milhões em 13 contratos da entidade firmados entre 2010 e 2013. Jogadores como Gustavo e o levantador Bruninho e ex-jogadores como Ana Moser soltaram o verbo contra a CBV e Ary Graça.
O primeiro efeito das denúncias foi a suspensão, pelo Banco do Brasil, do patrocínio para a entidade. A união durava 23 anos.
O superintendente geral da CBV, Neuri Barbieri, confia que o patrocínio será mantido, pois a entidade está, segundo ele, cumprindo todas as exigências da CGU. O dirigente, no entanto, criticou a declaração de jogadores feitas pelas redes sociais.
Foto: CBV
Fonte: O Globo

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