A tentativa de incluir o surfe no programa olímpico voltou à tona em
novembro, quando o argentino Fernando Aguerre se reelegeu para seu
oitavo mandato como presidente da Associação Internacional de Surfe
(ISA). Uma de suas promessas era intensificar sua campanha para levar o
esporte a uma Olimpíada. Porém, segundo opinião da Associação de
Surfistas Profissionais (ASP), e alguns atletas, a ideia não seria tão
vantajosa para a modalidade.
Sem nenhum adversário na votação realizada em Punto
Rocas, no Peru, Aguerre segue seu legado como líder da ISA, na qual
preside desde 1994. Para realizar seu “sonho”, o argentino agora contará
com um reforço de peso ao seu lado. Barbara Kendall, que competiu no
windsurfe em cinco edições da Olimpíada - a disputa faz parte do
programa da vela nos Jogos - e conquistou o ouro em 1992, em Barcelona,
foi eleita uma das vice-presidentes. Aguerre acredita que a
neozelandesa, que é membro do Comitê Olímpico Internacional (COI), pode
ajudar na sua empreitada. “Isso pode nos aproximar da admissão aos Jogos
Olímpicos”, disse.
Para o diretor da ASP, Renato Hickel, são dois os
aspectos que impedem a viabilidade do projeto: o local de disputa e a
importância que dariam para o surfe no cenário olímpico. “Tivemos
Olimpíadas em Pequim, Moscou e Barcelona. Onde seria realizado nessas
sedes? Não tem como fazer um campeonato sem onda, sem qualidade. E não
existe uma piscina decente para isso, ainda não conseguiram criar uma
tecnologia dessas”, afirmou em entrevista ao site Terra.
“Eu vou mais além. Vejo o surfe mais ou menos como o
tênis e o golfe. Ninguém sabe quem ganhou a medalha de ouro. Eles
preferem ganhar os torneios grandes. Não precisam do status olímpico
para atrair patrocinadores e conseguir dinheiro. O surfe não está tão
nesse patamar, mas acho que também não precisamos disso. O que os
surfistas vão preferir? Ganhar Pipeline ou Olimpíada?”, completou
Hickel.
Renan Rocha, ex-surfista profissional e hoje comentarista dos canais
ESPN, segue a mesma linha e diz ser complicado montar uma estrutura para
isso. “Não acho possível. Até hoje não construíram uma piscina decente
para isso. Uma coisa é você fazer uma pista de bicicleta, outra é fazer
algo para se surfar. Os caras têm um tempo e dias marcados para os Jogos
Olímpicos, e se o mar estiver calmo? O esporte é muito ingrato, é
impossível”, opinou sobre o assunto ao site Terra.
Foto: ASP
Fonte: Terra

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