A Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados voltou a discutir a realização das provas de vela dos Jogos
Olímpicos na Baía de Guanabara. Em audiência conjunta com a Comissão de
Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o presidente em exercício
da Autoridade Pública Olímpica (APO), Marcelo Pedroso, reafirmou que o
local tem condições de receber a competição.
“A cobrança é natural. Como cidadãos, queremos que as medidas sejam
implementadas. Estamos falando do futuro da cidade e dos nossos filhos,
do resgate da baía para que ela seja limpa de resíduos, mas há um
conjunto de medidas que nos permitem afirmar que temos condições de
fazer a competição de vela na Baía de Guanabara”, avaliou Pedroso.
Segundo Pedroso, o local sedia cerca de 130 campeonatos por ano,
sendo dez internacionais, além de receber aproximadamente 100 crianças
por fim de semana velejando em regatas e escolas de vela. A Baía da
Guanabara também foi palco de um primeiro evento-teste da modalidade em
agosto de 2014 e receberá o segundo nos próximos dias 15 a 22 de agosto,
antes da competição olímpica de 2016. “Não devemos parar de perseguir o
objetivo de conseguir a despoluição da baía, tendo os Jogos como um
marco, mas não como um fim”, acrescentou o dirigente da APO.
Também presente à audiência, a gerente-geral de Sustentabilidade,
Acessibilidade e Legado do Comitê Rio 2016, Tânia Braga, reforçou que
não há um plano B para as provas de vela. “Só se for ‘B’ de Baía de
Guanabara. Não vamos desistir dela”, afirmou, explicando que as raias de
competição foram decididas com base em estudos de condições climáticas e
fatores naturais, como maré, vento e condições da água, e que as
regatas serão realizadas em pontos com melhor qualidade e dentro dos
limites estabelecidos pelo Conama para prática esportiva no período dos
Jogos.
“Embora o nosso foco seja a operação para os Jogos, também somos
preocupados com o legado, e um já ficou para a baía, que foi ser tão
comentada. Os Jogos já contribuíram para discussão sobre o problema de
saneamento, que não existe só no Rio de Janeiro. A gente espera que isso
seja um marco nesse processo de cuidado com toda a bacia hidrográfica”,
comentou Tânia.
Ela explicou que estão sendo implementadas ações com foco nos
eventos-teste, como biorremediação das redes de esgoto e fluvial que
desaguam na Marina da Glória, o uso de ecobarcos e ecobarreiras, e a
limpeza e manutenção da estação de tratamento e das praias. “Para os
Jogos, diferença é que não vai ser feita a biorremediação porque a obra
na galeria de cintura está prevista para estar pronta até o fim deste
ano”, explicou.
O consultor e coordenador da Componente Institucional e da Cooperação
Técnica do Programa de Saneamento do Entorno da Baía de Guanabara da
Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro, Guido Gelli, também
lembrou que o saneamento na região deve ir além da realização dos Jogos,
de maneira a melhorar a situação dos municípios do entorno da baía, que
totalizam cerca de 10 milhões de habitantes. “O saneamento completo da
região vai muito além dos Jogos e requer mais tempo e dinheiro”,
explicou.
Também participou da audiência o biólogo e mestre em ecologia, Mário
Moscatelli, que chamou atenção para o fato de que os 14 municípios que
integram a bacia hidrográfica da região “muitas vezes se abstêm da
verificação do uso do solo, criando lixões extraoficias”. Ele explicou
que o material contamina a água.
Os requerimentos que propuseram o debate foram de iniciativa dos deputados Valadares Filho, Glauber Braga e Rodrigo Martins.

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