As Olimpíadas tem toda importância na vida de Ricardo Prado. De medalhista olímpico em Los Angeles em 1984, Ricardo Prado é presidente do conselho de esportes do comitê organizador dos jogos Rio 2016, comanda um grupo com nomes como Bernardinho, Janeth, Maurren Maggi, Joaquim Cruz entre outros, que tem como foco o bem estar do atleta nos jogos. Com experiência de ter trabalhado no Pan de 2007, Ricardo Prado falou ao Surto Olímpico sobre expectativas e desafios com apenas 12 meses faltando para os jogos olímpicos do Rio de Janeiro:
- Qual é o maior trabalho do conselho de esportes comitê Rio 2016?
O nosso maior foco é o atleta.Chamamos os ex-atletas, pois eles sabem quais são as maiores necessidades que um atleta tem, e certificam se o que estamos oferecendo para os atletas está de acordo com o que eles precisam. Eles verificaram se o tipo de comida está adequado, se o tipo de transporte para o atleta e os equipamentos dele também está ok, se o local de treinamento está de acordo como as federações internacionais exigem, O nosso foco é certificar que todos os serviços que serão prestados para o bem estar dos atletas, sejam os ideais.
- Como o comitê está lidando com o desafio de ter locais de treinamento para todos os atletas nos jogos?
No caso dos locais de treinamento, nós estamos buscando algumas soluções, como conseguir acordos com instalações militares e universidades para acomodar os treinamentos dos atletas. E temos que ter esses locais de treinamento na cidade do Rio de Janeiro e o mais próximo possível da vila dos atletas. E o atleta em si tem três preocupações: Ele quer treinar bem, quer comer bem e quer competir bem. O treino tem que ser o mais próximo possível de onde ele está e nós estamos buscando soluções. Uma maneira de lidar com isso é usar a área onde acontece o Rock in rio. Lá vai ter o chamado parque dos atletas, vamos ter algumas instalações esportivas ali, para 10 a 12 modalidades.
- E qual área da sua gestão que mais preocupa faltando um ano para o início dos jogos?
Acredito que toda área da minha gestão requer preocupação. O desafio mesmo é termos todas as instalações prontas, fazer todo o calendário dos eventos-teste, agora estamos muito focados na parte dos eventos-teste. A gente acredita que é necessário testar muito os locais de competição, a parte de cronometragem, e a gente tá fazendo a transição de um longo período de planejamento para um período de operação para esses últimos doze meses. Inclusive, a gente já tá cansado de planejar,a gente quer levantar do computador, a gente quer logo ir pra as instalações e fazer esporte.
- Quando faltava um ano para a Copa do Mundo, via-se muitos protestos públicos sobre o dinheiro gasto para a realização do evento. Já com os jogos olímpicos, isso raramente aconteceu até agora. Mas o comitê chegou a temer que esses protestos, virassem contra as olimpíadas após a copa?
Não houve muita preocupação de nossa parte, Na época da Copa, envolvia muito a questão política, o governo estava muito à frente da organização, pois queria o sucesso do evento e com isso acabou sofrendo muitas críticas da opinião pública. Já com os Jogos Olímpicos isso não acontece, pois o brasileiro adora as olimpíadas, e também sabe que estamos trabalhando sério, com descrição, para fazer uma ótima Olimpíada no Rio de Janeiro.
- O que você usa da experiência adquirida no Pan de 2007 para seu trabalho hoje?
Foi muito importante, pois pude trabalhar em uma grande organização, em várias áreas diferentes, onde elas prestam serviços umas às outras. O mais interessante que aprendi no Pan-americano foi ter aprendido a trabalhar em uma instituição tão grande e ao mesmo temporária, e controlar essa ansiedade de depender de outras áreas pra completar seu trabalho.
- Qual o maior legado esportivo que as Olimpíadas vão deixar para o Rio de Janeiro?
O grande legado que será deixado, além das instalações, será o legado do conhecimento. conhecimento em organização de eventos. Após os jogos, vamos ter um grupo de 60,70 pessoas que terão a experiência de participado da organização dos jogos olímpicos. Conhecimento de arbitragem também, mais de três mil árbitros vão participar dos jogos e muitos desse árbitros serão brasileiros e vão ganhar uma bagagem imensa nesses jogos. Mas o legado mais importante que teremos será o da inspiração. Eu quando era pequenininho em Andradina, via os jogos olímpicos e me inspirei em ser um grande atleta ali. E espero que muitas crianças que forem assistir os jogos olímpicos em 2016, se inspirem a ser grandes atletas no futuro.
- Qual sua expectativa para natação para 2016?
Acho que essa vai ser nossa melhor participação na história dos jogos. Nunca foi investido tanto nos nosso atletas e isso com certeza vai se refletir no número de medalhas e acho que hoje o Brasil se dá ao luxo de estar no melhor momento que o esporte já passou.
- E sua expectativa de torcedor para os jogos?
Minha expectativa é que será uma grande olimpíada. O brasileiro vai abraçar esses jogos, vai torcer com civilidade, salvo algumas raras exceções que a gente já viu no passado. O Brasileiro vai amar os jogos, brasileiro adora esporte, e as olimpíadas vai ser um grande encontro de almas.
Foto: Rio2016.com

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