No dia 20 de agosto de 2014, Hugo Calderano escrevia um dos principais
capítulos na história do tênis de mesa brasileiro: a primeira medalha
olímpica. Com uma vitória sobre o taiwanês Heng-Wei Yang, o carioca
garantiu a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude, em
Nanjing - um ano depois, sua carreira meteórica segue a todo vapor.
“A medalha foi um dos momentos mais marcantes da minha
carreira até agora, e o que eu acho muito bom é que mesmo tendo sido um
feito histórico, percebo que já evolui muito de Nanquim pra cá”, destaca
Calderano.
E essa evolução é realmente notável. No mês seguinte à conquista na
China, Hugo começou sua trajetória na Europa: passou a defender o
Liebherr Ochsenhausen, da Alemanha. Fez uma grande temporada em uma das
mais fortes Ligas do mundo – com direito a vitória sobre a lenda Timo
Boll – e teve seu contrato renovado por dois anos.
Antes, em fevereiro de 2015, ao lado de Gustavo Tsuboi, atingiu o
melhor resultado da história das Américas em uma etapa da série Super do
Circuito Mundial, realizada no Qatar: prata no torneio de duplas. Há um
mês, selou a vaga para os Jogos Olímpicos do Rio em 2016 com um título
Pan-Americano que não vinha para o Brasil desde 1995, com Hugo Hoyama.
Contudo, ainda que aos olhos do grande público a medalha em Nanquim
possa parecer o primeiro grande passo na carreira promissora do jovem
mesatenista, o próprio Calderano destaca que o bronze coroou um
crescimento que já vinha acontecendo.
"Não me senti entrando em um novo patamar depois da minha conquista.
Acho que outros acontecimentos me deixaram num patamar mais alto, como
eu subir aproximadamente 200 posições em um ano no ranking mundial e
figurar entre os top 100 com apenas 17 anos”, lembrou.
A escalada no ranking mundial aconteceu devido aos ótimos resultados
obtidos desde o início de 2014. Em janeiro, ele foi o primeiro
brasileiro a chegar à decisão da fase final do Circuito Mundial juvenil,
e ficou com a prata. No mês seguinte, duas medalhas de bronze nos
torneios sub-21 dos Abertos do Qatar e do Kuwait levaram o carioca à 95ª
posição – bem longe da 261ª ocupada um ano antes.
Eram fortes prenúncios do que acabaria acontecendo em Nanquim, em
agosto. Hoje, um ano depois, uma cena ainda não saiu da cabeça de Hugo
Calderano, quando teve a certeza que estaria no pódio.
"O momento mais marcante foi quando eu ganhei o último ponto. Joguei
minha raquete pro alto e fui abraçar o Paco, que estava comigo de
técnico”, recordou o mesatenista, citando o treinador Francisco Arado.
Mas se engana quem pensa que a campanha com seis vitórias e apenas uma
derrota - diante do japonês Yuto Muramatsu, atual 26º do mundo, na semifinal - teve algum momento de tranquilidade. No duelo com Yang, valendo o bronze,
Calderano venceu os três primeiros sets, perdeu os dois seguintes e viu o
adversário se aproximar do empate com uma vantagem de 7 a 4. Mesmo
assim, conseguiu reverter, demonstrando todo o foco necessário para
seguir buscando novos desafios na carreira.
"Naquele momento eu só procurava continuar concentrado e tranquilo, o
que não era uma tarefa fácil. Se eu perdesse aquele set teria que ir
para o 7º set com um peso imenso nos ombros de ter desperdiçado a
oportunidade, de estar liderando por 3 a 0”, analisou o mesatenista.
Medalha no pescoço, novos objetivos à frente. Classificado para encarar
seus primeiros Jogos Olímpicos, em sua cidade natal, Hugo Calderano
aposta no bom retrospecto em grandes competições, lembrando também de
sua atuação em Toronto, nos Jogos Pan-Americanos, onde foi campeão
individual e por equipes.
“Até hoje, sempre que disputei competições multiesportivas, como o Pan e
em Nanjing, fui bem sucedido. Isso sem dúvida me dá uma grande
experiência e vai me ajudar muito em 2016”, projetou o brasileiro.

0 Comentários