Palco da aclimatação da delegação brasileira para os Jogos Paralímpicos
de 2016, o Centro Paralímpico Brasileiro, em São Paulo, segue em ritmo
acelerado de construção. Já são mais de 97% das obras executadas, que
chamaram a atenção da maior autoridade no tema durante visita realizada. Em sua primeira vez no local, o presidente
do Comitê Paralímpico Internacional (IPC), Philip Craven, colocou o CT
brasileiro no topo das instalações esportivas mundiais.
“Os chineses também criaram uma instalação em 2007, a um ano dos
Jogos deles. Não era planejada para 2008, mas observe o time chinês
desde então. A Coreia também fez algo semelhante. Aqui não é o primeiro,
mas é definitivamente um dos melhores, se não o melhor”, definiu
Craven. “Essas instalações irão tornar o time brasileiro ainda mais
forte. Os Jogos de 2016 já estão chegando, mas fiquem de olho em
Tóquio-2020 e em 2024. As instalações vão continuar a transformação dos
atletas paralímpicos brasileiros”, apostou.
Com obras iniciadas em dezembro de 2013, o Centro Paralímpico conta
com um terreno de cerca de 100 mil m² (sendo em torno de 65 mil m² de
área construída), localizado no Parque Estadual das Fontes do Ipiranga.
Além de receber a fase final de treinamento dos atletas que competirão
no Rio de Janeiro, o local ficará como legado para as futuras gerações.
“Estou muito feliz pelos brasileiros. Isso é o que queremos que todos os
governos do mundo reconheçam: que os atletas paralímpicos precisam das
melhores instalações”, disse Craven.
“A gente está construindo pensando em cada detalhe para ser perfeito,
para que fique para as gerações futuras. Vamos usar o centro para o
Rio, para 2020, 2024 e as futuras gerações de atletas que vocês inspiram
e que vão ter muito mais estrutura para treinar do que vocês tiveram”,
disse o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Andrew
Parsons, com os atletas que participaram da visita ao local. “O centro
vai mudar a cara do esporte paralímpico no Brasil. Antes de Guadalajara e
Londres, a gente nunca imaginou ter um espaço desse de uma forma tão
rápida”, acrescentou.
O complexo é resultado de um investimento de R$ 282 milhões,
sendo R$ 167 milhões do governo federal e R$ 115 milhões do governo de
São Paulo. O Ministério do Esporte investe ainda R$ 20 milhões e o
governo paulista outros R$ 4 milhões na aquisição de materiais
para equipar o local.
A estrutura conta com 86 alojamentos, capazes de receber entre 280 e 300 pessoas, e
áreas para o treinamento de 15 modalidades paralímpicas: atletismo,
basquete em cadeira de rodas, bocha, natação, esgrima em cadeira de
rodas, futebol de 5, futebol de 7, goalball, halterofilismo, judô, rúgbi
em cadeira de rodas, tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas, triatlo e
vôlei sentado.
“Teremos aqui praticamente todas as modalidades para termos o melhor
centro da América Latina e um dos melhores do mundo, com todo o capricho
e o que há de melhor, com equipamentos modernos”, disse o governador
Geraldo Alckmin. A expectativa é que o local seja sede das Paralimpíadas
Escolares. “Construímos cinco centros esportivos regionais que vão
estar interligados a este e que vão formar uma rede de suporte ao
paradesporto. A ideia é detectar talentos nas escolas, nos centros e, a
partir daí, criar a oportunidade do treinamento de alto rendimento
aqui”, explicou Linamara Battistella, secretária dos Direitos da Pessoa
com Deficiência do Governo de São Paulo. Outra competição prevista para o
local é a edição de 2017 dos Jogos Parapan-Americanos Juvenis.
No ano que vem, a delegação brasileira que competirá nos Jogos
Paralímpicos do Rio também será beneficiada pela estrutura. “Uma
aclimatação bem feita é fundamental. Em 2012, em Manchester, a gente
pôde fazer, pela primeira vez, uma aclimatação para todas as modalidades
paralímpicas com recursos do Ministério do Esporte. Conseguimos chegar
com uma condição melhor para competir e conquistar o sétimo lugar.
Treinando aqui pelo tempo que a gente quiser, e com os atletas próximos
das famílias, vamos criar um ambiente favorável para que consigam levar o
Brasil ao quinto lugar”, avaliou Parsons.
O presidente do IPC também aposta no sucesso da delegação brasileira
no Rio de Janeiro. “Vocês têm grandes atletas, muito técnicos e bem
treinados. Percebi hoje que o time brasileiro é uma família, e quando
você tem a oportunidade de treinar junto 15 modalidades que estarão no
Rio ano que vem, você intensifica isso”, explicou, ansioso pela
competição em solo carioca. “Passei três dias no Rio e posso dizer que
já há um grande espírito paralímpico lá. Quando São Paulo e o restante
do Brasil se juntarem, teremos um dos melhores Jogos da história, se não
os melhores”, adiantou.
Foto: Divulgação

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