A Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem promoveu, nos dias 9 e 10 de abril, no Ministério do Esporte, em Brasília, a 15ª
Jornada ABCD Formação para a Luta Contra a Dopagem no Esporte. A
iniciativa teve como objetivo formar novos oficiais de controle de
dopagem (DCO, na sigla em inglês para Doping Control Officer) e contou
com a participação de 37 candidatos. De acordo com o Código Mundial
Antidopagem, os novos DCOs obrigatoriamente devem ser profissionais da
área de saúde com curso superior (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas,
biomédicos, profissionais de educação física, etc) e com conhecimento
da língua inglesa.
O sábado foi todo dedicado à parte teórica e, no domingo, houve uma
aula prática, com simulação de sessão de coleta de amostras, além
exercício sobre cenários complexos de notificação e dos procedimentos
envolvidos nas coletas.
Para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, a estimativa é de
que cerca de 150 DCOs atuem no Brasil, sendo muitos deles brasileiros.
Alem dos DCOs, existem outros dois tipos de agentes envolvidos nas
operações de controle de dopagem: os BCOs (oficiais de coleta de sangue,
ou Blood Collection Officer, na sigla em inglês) e os Escoltas (que
conduzem os atletas até as áreas de coleta).
Depois de assimilado todo o volume de informações teóricas e práticas
envolvidos na Jornada ABCD de Formação, os candidatos ainda precisam
passar por uma última etapa antes de se tornarem oficiais: a
certificação. "É nessa fase que eles atuam em campo, em competições e em
testes fora de competição", explica a diretora de Relações
Institucionais da ABCD, Martha Dallari. Segundo Martha, os candidatos
que participaram da Jornada da ABCD em Brasília terão que ser avaliados
em quatro missões (dentro e fora das áreas de competição) antes de
receberem a certificação como oficiais de controle de dopagem.
Para o secretário nacional para a ABCD, Marco Aurelio Klein, a
Jornada é uma iniciativa de enorme importância. "Os Jogos Olímpicos
proporcionam um imenso avanço na luta contra a dopagem no esporte no
Brasil. E parte desse avanço se dá na formação de pessoal, na
qualificação de equipes para trabalhar no campo, para trabalhar na luta
contra a dopagem no esporte. Nós temos, ante a Agência Mundial
Antidopagem e os Comitês Olímpico Internacional e Comitê Paralímpico
Internacional, a tarefa de formar equipes que o Comitê Organizador
poderá contratar durante os Jogos. São profissionais que, de acordo com o
Código Mundial Antidopagem em vigor, precisam ser certificados pela
ABCD", destacou Klein.
Consultor da Unesco para a ABCD, o português Luis Horta, uma das
grandes autoridades em assuntos ligados ao combate da dopagem no esporte
no mundo, trabalhou orientando os candidatos neste fim de semana
durante a Jornada. Ele ressaltou que ter uma boa quantidade de agentes
de controle de dopagem no Brasil é fundamental para o sucesso das ações
da ABCD.
"Os agentes de controle de dopagem são muito importantes porque eles,
afinal, são o nosso braço armado em campo. É muito importante termos
uma quantidade substancial de agentes de controle de dopagem, nesse caso
oficiais de controle de dopagem, porque o Brasil é um continente.
Embora os atletas estejam localizados principalmente na região Sul e
Sudeste, há atletas por todo o país e podem ocorrer controles de dopagem
em todo o país. Por isso, é importante que tenhamos uma relação de
proximidade até para baixar os custos. A proximidade dos DCOs em relação
aos locais onde vão ser realizados os controles é fundamental",
explicou Luis Horta.
Christian Farias Trajano é médico em Vitória (ES) e foi um dos
candidatos que participou da Jornada da ABCD. "A iniciativa de ter uma
Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem no país é fantástica, não
só pela existência dos Jogos Olímpicos agora, em 2016, mas para garantir
que, do ponto de vista governamental e também como cidadão, os recursos
que são distribuídos para incentivar o esporte sejam aplicados por
atletas que estão jogando limpo. A gente poder ter esse controle em casa
e formar profissionais daqui também eu acredito faz com que o exemplo
seja mais patente do que a punição. A gente jamais vai conseguir
abranger o universo inteiro de atletas. Mas se a gente conseguir tornar
exemplos algumas pessoas que se destacam no meio esportivo e que estão
jogando sujo, isso tem um efeito muito maior do que punir simplesmente",
avaliou o ortopedista.
Portuguesa e vivendo há apenas seis meses no Brasil, Maria Manuela
Soares, formada em educação física, também participou da Jornada e
exaltou a iniciativa da ABCD. "Tem sido bastante agradável e tudo foi
feito com muita qualidade. É bastante importante para um desporto
brasileiro mais limpo, mais justo e com mais igualdade entre os atletas.
Tem sido gratificante e tem dado uma grande melhoria para a minha
formação profissional e também pessoal", declarou.
Foto: Ministério dos Esportes

0 Comentários