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Prata de Diego Hypólito na Rio 2016 saiu em meio a crise com chefe da seleção da Ginástica

Um dos momentos mais emocionantes dos jogos Rio 2016 por pouco não aconteceu. A medalha de prata de Diego Hypólito conquistada no solo, se dependesse de Renato Araújo, chefe da seleção brasileira e ex-treinador de Diego, não aconteceria, pois ele era contra a presença de Diego na seleção. Renato resolveu falar ao UOL após a participação de Diego no programa 'Bola da Vez' do canal ESPN, onde o ginasta afirmou que se sentiu boicotado e injustiçado durante a definição da equipe que iria ao Rio de Janeiro.

Ao portal UOL, Renato, que foi treinador de Diego até 2014, disse que o ginasta não deveria estar na Olimpíada por não ter alcançado suas metas nas avaliações classificatórias. Mas uma reunião com integrantes do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e outros membros da comissão técnica selou a ida do veterano. O treinador preferia uma equipe mais forte a um ginasta que poderia render bem apenas no solo e no salto.

"Tive de aceitar uma situação pois não queria briga. Poderia ter chutado o balde, não aceitar e sair fora, mas nunca tive este perfil ditatorial. Chegamos a um acordo com o COB para colocar o Diego na equipe pensando na expectativa que eles tinham de brigar pelo maior número de medalhas. Depois que isso foi decidido, eu só quis abafar a polêmica, para deixar o grupo livre dela. Engoli em benefício do grupo" explicou Renato.

Diego Hypólito alega que ninguém da comissão técnica da seleção queria que ele fosse à Olimpíada e que o nível de exigência nas avaliações realizadas a portas fechadas era muito maior com ele do que com os outros atletas. "Tive de fazer dez avaliações e sentia que estava sendo boicotado. Ele (Renato) não acreditava em mim e obviamente não queria me ver lá. As pessoas não acreditavam que eu poderia ganhar uma medalha olímpica. Sempre tinha uma avaliação a mais. Antes da última avaliação, passei mal, chorei, fiquei desesperado", disse Hypolito em entrevista ao programa Bola da Vez, da ESPN.

"Quem me colocou na Olimpíada foram o Marcos Goto e o Jorge Bichara (gerente de performance do Comitê Olímpico)", disse. "Mas eu não julgo o Renato. Ele foi o principal treinador da minha carreira. Me fez campeão mundial e finalista olímpico. Mas na reta final, não tive um perfil tão positivo com ele", completou Hypolito. Na entrevista à ESPN, o ginasta declarou ainda que a comissão técnica da seleção queria que ele atingisse uma nota muito difícil dele alcançar: 15,700. Diego foi medalha de prata com a nota 15,533. Medalhista de ouro, o britânico Max Whitlock tirou 15,633.

Renato confirma a informação de Diego e explica: "Nossa avaliação foi muito bem feita e com critérios claros. O Diego foi quem mais teve oportunidades e colocamos como meta no solo a nota 15,700. Sem isso, é impossível brigar por uma medalha. Mas em nenhuma avaliação chegou nesta nota, nem em competições oficiais em 2016. E tínhamos a ideia de levar uma equipe forte e por isso ele estaria fora", disse o treinador. 

"Mas depois que teve o acerto com o COB, a única coisa que eu pedi foi que o Diego treinasse com o grupo na reta final. Tivemos um torneio amistoso na Suíça em julho e não sei porque 'cargas d'água' ele não foi e decidiu ir treinar com o Marcos. Fui treinador dele por quase 20 anos e ele me informou isso por uma mensagem de Whatsapp. Poderia ter falado cara a cara. E a relação ficou desagastada", complementou.

"Ficaram dois atletas de um lado (Hypolito e Zanetti em São Caetano) e três (Arthur Nory, Francisco Barreto e Sergio Sasaki) de outro. E isso é ruim, porque sempre gosto de fazer treinos juntos. Mas por estar chateado comigo, o Diego se fechou com o Marcos. Mas ninguém faz atleta em 45 dias. A ginástica é um esporte complexo, não é bolinha de gude", disparou Araújo.

Renato Araújo deixou o cargo de chefe da seleção de ginástica masculina após os jogos olímpicos do Rio de Janeiro. Diego Hypólito, após a prata, ganhou novo fôlego e pretende continuar a competir para brigar por medalhas em Tóquio.


Com informações de UOL e ESPN
Foto: Mike Blake/Reuters

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