Por Juvenal Dias
No último final de semana foi realizada a competição nacional
mais importante da ginástica artística no Esporte Clube Pinheiros, zona oeste
de São Paulo, e que serviu para o coordenador técnico Marcos Goto avaliasse os
ginastas visando a definição das seleções masculina e feminina que
representarão o Brasil no Mundial da categoria. O evento ocorre em Montreal,
Canadá, no final de setembro. Após toda
premiação para os melhores ginastas brasileiros, Marcos fez uma análise da
competição, das adaptações, do que ele espera que os atletas façam e sobre não
ter usufruído dos Jogos Olímpicos do Rio-2016. Confira:
- Aumentou o nível técnico do Campeonato Brasileiro?
Aumentou a competitividade, junto com a pressão em cima dos
atletas. Tivemos dois dias de individual geral, para eles atingirem a meta para
o Mundial teria que ser feito na média desses dois dias. Ontem foi a competição
por especialistas com notas valendo. Acho que os ginastas viram que a pressão é
um pouco maior, com isso vamos conseguir preparar mais os atletas para as
competições internacionais. Esse é o objetivo que a Seleção tem.
- Quem atingiu os critérios estipulados está garantido no
Mundial?
Não está garantido no Mundial, nem na Seleção. Vamos ter
mais uma avaliação ainda, essa foi uma primeira para compor a Seleção. Tenho mais
uma semana para avaliar os resultados e rever a competição de todo mundo. Depois
desse período, soltaremos os nomes que compõem a Seleção hoje, este ano. Dia 21
e 22 de agosto faremos essa nova avaliação e chegaremos ao grupo que vai para o
Mundial.
Goto ainda explicou que os parâmetros serão atualizados anualmente pensando na principal competição daquele período. Para o Mundial, o Brasil contará com duas vagas para os generalistas, aqueles que competem em todos os aparelhos, e quatro vagas para especialistas. “Se nós tivermos atletas com notas plausíveis para estar entre os 24 melhores do mundo, que pegariam a final no Mundial nós levaremos esses dois generalistas e os atletas especialistas têm que ter, pelo menos, notas finais próximos de uma final”, completou o coordenador.
Goto ainda explicou que os parâmetros serão atualizados anualmente pensando na principal competição daquele período. Para o Mundial, o Brasil contará com duas vagas para os generalistas, aqueles que competem em todos os aparelhos, e quatro vagas para especialistas. “Se nós tivermos atletas com notas plausíveis para estar entre os 24 melhores do mundo, que pegariam a final no Mundial nós levaremos esses dois generalistas e os atletas especialistas têm que ter, pelo menos, notas finais próximos de uma final”, completou o coordenador.
Gostou do que viu do desempenho dos atletas no Brasileiro?
Eles estão conseguindo se adequar bem ao novo código de pontuação?
“É a primeira competição nacional nossa com o novo código,
eles ainda estão se adaptando, não é tão simples assim você fazer uma mudança
no primeiro ano do ciclo. A Federação Internacional de Ginástica fez muitas
mudanças, não foram poucas, então as notas de partida deles abaixou bastante.
Mas eu estou satisfeito com o resultado da competição, tiveram poucos erros e
muitas quedas. Os ginastas estão entendendo que devem fazer por onde para
entrar na Seleção e, assim, competir fora do país”.
O Diego Hypólito e a Flávia Saraiva não estiveram presentes
à competição. Conta com estes dois atletas?
Conto com todo mundo, desde que eles façam por onde.
Teremos avaliações e nelas é só o atleta bater as metas que forem determinadas
e estará dentro da Seleção para determinada competição. Independente de idade,
tamanho, cor, é meta! Atingiu a meta vai para a competição, não atingiu fica
para treinar um pouco mais.
- Dia 6 de agosto é um dia especial por conta daquela medalha de
ouro do Zanetti (em Londres-2012). Como você vê o cenário da modalidade cinco
anos depois?
Ah... mudou muita coisa. A estrutura da ginástica mudou
bastante. É lógico que o cenário financeiro do país hoje não está lá essas
coisas, mas a ginástica está andando. Tem o apoio da Caixa, a Confederação está
fazendo o que pode para continuar o legado, continuar o trabalho com a Seleção,
o Comitê Olímpico (COB) está nos ajudando, fazendo ações diretas em parceria.
Então eu vejo um cenário muito bom. A CBG trabalhando em conjunto com o
COB, a Seleção só tem a ganhar e o país também”.
- Do que tinha de concepção nas avaliações até agora, deu para
ter certeza de alguma coisa ou criou mais dúvidas, vendo os desempenhos dos
atletas?
Acho que deu uma clareada. No individual geral, tivemos os
quatro primeiros atletas muito bem, com uma pontuação boa, bem plausível para o
momento, não está excelente ainda, é logico, porque ainda estamos na primeira
avaliação para a seleção. Assim que colocarmos todos para treinar juntos e
determinar a meta para cada um, com certeza os resultados deles vão melhorar.
- E a sua expectativa para o Pan-Americano de especialistas
que vem agora?
Vamos testar algumas coisas, vamos testar algumas séries. O
objetivo principal é o Mundial e o Pan vai servir como teste. Nada de pressão,
de acertar, de ganhar ou trazer medalha. O mais importante é testar as séries e
corrigir erros até o Mundial.
- O Arthur Zanetti, no sábado(5), teve uma dor no cotovelo
direito. Preocupa?
Ele sentiu um pequeno incômodo no braço mesmo e, com o
objetivo do Mundial, é muito melhor tirar o atleta dessa competição
(Brasileiro), poupá-lo para fazer um tratamento intensivo e alcançar o
objetivo. Se ele não estiver recuperado no Pan, fará o solo e salto e não faz
argolas, até se recuperar 100% e competir nesse aparelho no Mundial.
- Esperava tanta gente acompanhando a ginástica em um fim de
semana frio como este em São Paulo?
Sim, a ginástica hoje está bem mais popular no país, ela
está com uma aceitação muito boa da mídia. A prova é que na sexta-feira,
competição de infantis o ginásio estava lotado, então mostra que a modalidade
está em evolução no país todo.
- Há um ano atrás, acontecia a Olimpíada no Rio. O que você
tem de recordação boa desta competição?
[Risos irônicos] Vou te falar a verdade, recordação boa só
o final da competição, porque foi muita pressão. Nós nos sentimos muito
pressionados dessa competição e não conseguimos aproveitar. Tanto o Arthur
(Zanetti) quanto eu não aproveitamos como foi em Londres. Lá, fomos focados,
mas não éramos protagonistas da competição, estávamos lá e o que viesse estava
bom. Mas no Rio de Janeiro não, tínhamos um compromisso maior e uma
responsabilidade muito maior, então foi uma competição muito difícil, lidar com
aquelas duas semanas...
- Aquela questão de festa de estar competindo em casa não se
aplicou?
Não se aplicou não só para nós, não se aplicou para
ninguém, não tinha festa nenhuma, porque a pressão era toda em cima de nós,
porque o Arthur estava defendendo uma medalha olímpica.
- Mas acha que, em um contexto geral, acabou lidando bem com
essa pressão, mesmo não repetindo o ouro, chegando ao pódio como um resultado
significativo?

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