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SurtoRetrô do Rio 2016 - 11 de Agosto

A quinta-feira trouxe alívio aos brasileiros, a nação que hospedava os Jogos Olímpicos subiu no pódio novamente neste sexto dia de entrega de medalhas. Além disso, o sol voltava a brilhar no Rio depois de um dia de muita chuva, o que incentivou muitas histórias emocionantes e feitos inéditos, que vinham desde quem nunca tinha ganho nada, até de quem já estava acostumado a receber medalhas.

Quinta-Feira, 11 de agosto de 2016

Um sorriso fácil, uma simpatia pura e um talento gigantesco. Para quem acompanha o judô é difícil apontar alguém que não goste ou admire Mayra Aguiar. A jovem judoca gaúcha de apenas 25 anos coleciona feitos gigantes no judô feminino brasileiro, dona de um bronze olímpico e quatro medalhas em mundiais - dentre eles o ouro em 2014 -, a atleta pisou no tatame naquela tarde carregando muita expectativa e a possibilidade escrever mais um capítulo vitorioso na sua história. A categoria de Mayra, a meio pesado feminino (-78 kg), é dominada por uma triade composta por Mayra, Kayla Harrison (Estados Unidos) e Audrey Tchemeo (França) há pelo menos sete anos, atletas que estão em praticamente todos os pódios importantes desde o mundial de Tóquio em 2010. Assim como em Londres 2012, a americana chegou extremamente dominante e ficou com o ouro, se tornando a primeira atleta dos Estados Unidos bicampeã olímpica no judô, vencendo Tchemeo na final. Mayra, derrotada pela francesa por punições na semi-final, derrotou a cubana Yallenis Castillo e se tornou a primeira mulher brasileira a conquistar duas medalhas olímpicas em esportes individuais. O bronze foi muito especial e comemorado, mas Mayra deixou claro que queria uma final contra Kayla com quem protagoniza uma sadia rivalidade dentro dos tatames e uma boa amizade fora das competições.

Na ginástica artística era o dia da final do individual geral e dia de mais um show de Simone Biles. A superioridade da americana era tão grande que só um desastre tiraria dela o título de ginasta mais completa dos Jogos Olímpicos do Rio. Sempre com um sorriso estampado em seu rosto adolescente, Simone chorou muito com o título mais nobre e desejado da modalidade. Em entrevista, disse que a emoção de se tornar campeã olímpica individualmente era enorme e que preferia ficar de fora do debate se era ou não a maior ginasta da história. Comparada a dois grandes astros do esporte mundial, a jovem americana, com muita humildade disse: "Não sou a próxima Michael Phelps ou Usain Bolt, sou apenas a primeira Simone Biles". Com 62.198 pontos o ouro veio até com facilidade, deixando a também americana Aly Raizman com a prata e a russa Aliya Mustafina com o bronze. A brasileira Rebeca Andrade terminou na décima colocação.

Por falar em Phelps, como é possível um atleta que já bateu todos os recordes imagináveis para sua modalidade ainda conseguir entrar cada vez mais na história?Bom, se tratado do maior de todos os tempos, sempre há algum feito novo para ser acrescentado na sua vitoriosa carreira. Ao vencer os 200 medley com 1m54s66, o americano se tornou o primeiro tetracampeão olímpico em uma mesma prova na natação, mais um feito inédito de Phelps. O brasileiro Thiago Pereira, maior esperança de medalha do Brasil na natação, chegou a estar em terceiro até os metros finais, mas infelizmente cansou no final e terminou em sétimo lugar.

Na final dos 100 metros nado livre feminino, todos estavam de olho em duas irmãs australianas, Bronte e Cate Campbell, que dominavam a prova em todo o ciclo olímpico. Quem acompanha a natação sabe, nadar bem e na hora certa é extremamente importante, e não foi isso que aconteceu com as australianas, que fora do pódio, viram um raro empate entre duas jovens nadadoras pelo ouro. Penny Oleksiak do Canadá e Simone Manuel dos Estados Unidos empataram em primeiro lugar. O que torna essa prova ainda mais especial é que ao vencer os 100 livre, Simone Manuel se tornou a primeira mulher negra a conquistar um ouro individual na natação olímpica. Simone é definitivamente um nome de quem quer entrar pra história. Os outros ouros da natação no dia foram para Ryan Murphy (EUA / 200 Costas Masculino) e Rie Kaneto (Japão / 200 Peito Feminino).

Não foram apenas americanos que fizeram história nesta quinta-feira. Provavelmente, a maioria dos pouco mais de novecentos e cinco mil habitantes da pequena Fiji estava ligada na TV,de olho no Parque Olímpico de Deodoro, torcendo para sua equipe na final olímpica do Rugby Sevens masculino. O pequeno arquipélago da Oceania deve ter explodido com o apito final do árbitro confirmando a primeira medalha da história do país em Olimpíadas e logo com um ouro no seu esporte principal. Vitória sobre a Grã Bretanha com arrasadores 43 x 7

Para não parar com as conquistas históricas, Sarah Ahmed e seu bronze na categoria até 69 quilos no levantamento de peso se tornaram a primeira medalha feminina da história do Egito. Algo muito simbólico.

No tênis de mesa, final chinesa no simples masculino com vitória do líder do ranking mundial Ma Long sobre seu compatriota Zhang Zike por 4x0. Os asiáticos mantiveram seus domínios em suas modalidades. Se no tênis de mesa deu China, no tiro com arco a Coréiado Sul manteve a tradição e foi ouro também na chave masculina. Vitória de Chang Hye-Jim.

Nos coletivos, presença dos nossos times masculinos. Algozes do Brasil na final olímpica de Pequim-08, os Estados Unidos venceram nossa seleção por 3 x 1 no Maracanãzinho, preocupando os torcedores presentes na arena. Derrota também no basquete por 80 x 76 para a Croácia. A notícia boa dos esportes coletivos veio do handebol, vitória do Brasil por 33 x 30 contra a Alemanha, atual campeã européia.

O depoimento de hoje vem de Saulo Próspero. Engenheiro, atleta de tiro com arco e scritor do blog esportivo "Os Olímpicos", Saulo foi à sua terceira olimpíada,  desta vez realizando mais um sonho: Ser voluntário.

Por Saulo Próspero

Indo para minha terceira Olimpíada como espectador, desta vez em casa, tinha que realizar um sonho que era participar ativamente dos Jogos como voluntário. Como atleta de tiro com arco, não poderia ter uma oportunidade melhor de ver os maiores do meu esporte in loco e, sendo assim, passei 10 dias espetaculares no Sambódromo.
A experiência havia começado um ano antes no evento-teste, que já havia recebido os maiores nomes da modalidade querendo testar o local da competição. Na ocasião, a grande maioria dos outros voluntários tinha o contato com a modalidade pela primeira vez. E todos aprenderam a amar um esporte novo.

Nos Jogos, o grupo era praticamente o mesmo e todos já conheciam o esporte, as regras, os atletas e até mesmo os técnicos. Não dá para fugir do clichê de que foram 10 dos melhores dias da minha vida. Minha área de atuação era o esporte em si. Ficava lá atrás com os atletas, técnicos, árbitros e participava ativamente do desenrolar da competição.

O dia 11 de agosto era meu penúltimo como voluntário, dia das finais femininas. Assim como já tinha feito nos outros dias, acompanhei várias atletas até a área de disputas, pois era necessário passar pelo meio do público. Na finais, minha função era buscar as flechas e levá-las de volta às atletas, e presenciei o ouro da coreana Chang Hye-jin sobre a alemã Lisa Unruh. Mas a grande atleta e uma das minhas arqueira favoritas acabou com o bronze, a também sul-coreana Ki Bo-bae, campeã olímpica em Londres. Os coreanos, aliás, levaram todos os 4 ouros em jogo no Sambódromo.

No fim do dia ainda arranjei tempo e forças para ver as finais da natação no Parque Olímpico, com mais um ouro de Michael Phelps nos 200m medley, de Ryan Murphy nos 200m costas, da japonesa Rie Kaneto nos 200m peito e o empate nos 100m livre da americana Simone Manuel e da canadense Penny Oleksiak.

Eu tenho uma paixão pelos Jogos Olímpicos que transcende o normal e a experiência de participar como voluntário em casa não teve preço. Se vou trabalhar em Tóquio é uma incógnita, mas não perco mais nenhuma Olimpíada.
Foi demais. Obrigado, Rio-2016.


Foto: Danilo Verna / NOPP



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