Segundo o Conselho de Auditoria, um órgão fiscalizador independente do governo japonês, o custo de sediar as Olimpíadas e Paraolimpíadas de Tóquio no ano passado chegou a 1,69 trilhão de ienes (US$ 12,8 bilhões), uma soma 20% maior do que o relatório do comitê organizador havia apresentado.
O grupo de auditores japoneses apontou que os custos dos Jogos ficaram 130% maior do que as estimativas divulgadas em 2013, quando Tóquio venceu a licitação para sediar as Olimpíadas de 2020. O conselho apresentou o relatório aos legisladores neste quarta-feira (21).
A auditoria, que ocorre em meio ao escândalo de manipulação de licitações em desenvolvimento, mais uma vez lança uma luz dura sobre os lapsos de governança do comitê organizador e a falta de supervisão de Tóquio e do governo central.
A maior discrepância encontrada pelo Conselho Fiscal decorre dos gastos do governo central. O conselho informa que o governo nacional gastou 466,8 bilhões de ienes no evento, bem acima dos cerca de 186,9 bilhões de ienes citados pelo Comitê Organizador de Tóquio em junho.
Outras despesas cobertas pelo governo pelas quais nem as autoridades estaduais nem o comitê organizador haviam prestado contas foram: treinamento de atletas, prevenção de doping e obras no Estádio Nacional, principal sede olímpica. Os auditores somaram esse gasto ao total, concluindo que os custos estavam ligados às Olimpíadas.
O custo total de 1,42 trilhão de ienes informado pelo Comitê Organizador dos Jogos de Tóquio, ficaram 275,1 bilhões de ienes abaixo das conclusões do Conselho de Auditoria. O Conselho de Auditoria chegou às suas conclusões, em parte, entrevistando agências governamentais e revisando os anos fiscais de 2013 até 2021. A auditoria mais recente representa o relatório final.
Essa auditoria final determinou que os gastos dos governos central e metropolitano de Tóquio cobriram 62% dos custos, ou 7% a mais do que o comitê organizador havia revelado. O conselho também descobriu que um adicional de 1,3 trilhão de ienes foi gasto pelo governo central em 329 projetos relacionados às Olimpíadas. O governo metropolitano de Tóquio divulgou em novembro 685,4 bilhões de ienes em outras despesas extras relacionadas aos Jogos.
Esses números combinados com gastos diretamente relacionados totalizam cerca de 3,68 trilhões de ienes. O governo central não emitiu anteriormente estimativas combinando custos diretos e associados.
O conselho também cobriu a gestão orçamentária, observando que 38 bilhões de ienes permaneciam não alocados no fundo de hospedagem do governo central no final de outubro. Outros 5,6 bilhões de ienes estão sendo gastos para manter o Estádio Nacional, mesmo que nenhum progresso tenha sido feito nos planos de privatização, disse o relatório.
O Comitê Organizador de Tóquio vem enfrentando questionamentos sobre sua governança, já que a confusão reinou sobre o compartilhamento de custos e a construção do local. O governo central, por outro lado, optou por não interferir, alegando que o governo metropolitano de Tóquio precisava se envolver. Como resultado, não ficou claro de quem era a responsabilidade final.

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