A paulista Evelyn Oliveira, porta-bandeira do Brasil nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, teve o resultado mais expressivo na estreia da Seleção Brasileira de bocha no Mundial da modalidade, que começou na terça-feira, 6, no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Ao todo, a equipe nacional conquistou sete vitórias, um empate e teve três derrotas no primeiro dia da competição.
A principal competição da bocha do ciclo Paris 2024 reúne mais de 170 atletas de 40 países em disputas individuais, por pares e equipes. As partidas têm sido realizadas no mesmo palco dos Jogos Paralímpicos de 2016. Os jogos de bocha acontecem nas estruturas das Arena Carioca 1 e a entrada é gratuita ao público.
A atleta da classe BC3 (para atletas com deficiências severas e que podem usar o instrumento auxiliar calha e ter auxílio de outra pessoa), atual terceira do ranking, não tomou conhecimento da sul-africana Elanza Jordaan (29ª) e controlou a partida desde o primeiro arremesso da bola.
Evelyn, diagnosticada com uma doença congênita chamada atrofia muscular espinhal, abriu 7 a 0 logo na primeira parcial para depois finalizar a partida em 18 a 0.
"Fiquei muito feliz de ter iniciado o Mundial depois de uma jornada tão longa. Não tem nada mais gratificante do que ter uma estreia como essa, com uma vitória consistente, com tranquilidade nas quatro parciais. Estou feliz com o resultado e espero manter o desempenho no restante do campeonato", afirmou.
Os dois medalhistas de bronze nos Jogos de Tóquio 2020, José Carlos Chagas e Maciel Santos também estrearam no Mundial com placares eslásticos em suas respectivas classes.
Na BC1 (que podem jogar com as mãos ou com os pés e que contam com a opção de um auxiliar), o paulista apelidado de "Zé", atual segundo do ranking em sua classe, aplicou 11 a 1 no japonês Takumi Nakamura (27º). Já o cearense Maciel, estreou em sua sétima participação em mundiais vencendo o sul-coreano Minkyu Kwak (52º do ranking) por 8 a 1 pela classe BC2 (para atletas que não recebem assistência).
Ainda pelo masculino, mas pela classe BC3 (para atletas com deficiências severas e que podem usar o instrumento auxiliar calha e ter auxílio de outra pessoa), o mineiro Mateus Carvalho também venceu com facilidade o egípcio Abdelrahman Saad por 9 a 0.
Já no feminino, as pernambucanas Andreza Vitória e Evani Calado derrotaram Yushae Andrade, de Bermudas, por 5 a 2 pela BC1, e a japonesa Keiko Tanaka por 4 a 2 pela BC3, respectivamente. Pela classe BC4 (para atletas com deficiências severas, mas que não recebem assistência), a paulista Josi Silva, outra estreante em mundiais, venceu a chilena Norma Concha por 8 a 0.
"Foi tranquilo [a estreia no Mundial], no começo dá um frio na barriga, mas depois consegui me controlar e manter nas jogadas. O jogo foi tranquilo, a chilena cometeu uma penalidade logo no início e isso facilitou para a gente ficar na frente do placar por toda a partida", finalizou Josi.
O único empate brasileiro do dia aconteceu com o pranaense Eliseu dos Santos, que jogou duas vezes no dia: 2 a 2 com o tailandês Ritthikrai Somsanuk e derrota para o israelense Gershon Haimov por 8 a 1, ambas pela classe BC4.
Os outros reveses do Brasil no dia foram com a pernambucana Letícia Karoline, que fez jogo equilibrado com a argentina Ailen Flores, atual terceira do ranking, mas acabou derrotada por 3 a 2 na classe BC1, e com o paulista Antônio Leme, superado por Tak Wah Tse, de Hong Kong, por 7 a 1 na BC3.
Foto: Bruno de Lima / ANDE

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