Foi recebido pelo Comitê Olímpico
Internacional (COI) uma solicitação de suspensão do Comitê Nacional do
Afeganistão devido a restrições quanto à participação de mulheres e meninas em
competições. O grupo Human Rights Watch acionou o COI a suspender o Afeganistão
do esporte internacional, durante sua reunião do Conselho Executivo.
O presidente do COI, Thomas Bach,
afirmou que estava "monitorando isso de perto" após a última reunião
do Conselho Executivo em setembro e espera-se que o status do Comitê Olímpico
Nacional da República Islâmica do Afeganistão seja discutido como parte de um
relatório sobre os Comitês Olímpicos Nacionais.
Samira Asghari, membro afegã do
COI, descreveu o país como "uma prisão" para mulheres e meninas após
o retorno do Talibã ao poder no ano passado. O grupo radical islâmico restringe
severamente os direitos de mulheres e meninas sob sua interpretação da lei
Sharia, isso inclui a imposição de requisitos para que as mulheres cubram o
rosto em público, viajem com os homens e sejam excluídas do ensino médio e dos
esportes.
Mais de um milhão de pessoas teriam fugido do Afeganistão desde o ressurgimento do Talibã, com vários órgãos esportivos, incluindo o Comitê Olímpico Australiano, a FIFA e a União Ciclística Internacional, auxiliando nos esforços para evacuar os atletas.
Minky Worden, diretora de
iniciativas globais da Human Rights Watch, destacou a crença da organização de
que o COI deveria adotar uma postura mais firme contra o Afeganistão:
“Desde a tomada do Afeganistão
pelo Talibã, milhares de mulheres e meninas tiveram negado o direito de
praticar esportes, e as oportunidades de educação, bolsas de estudos e o
direito de alcançar o mais alto padrão possível de saúde física e mental que a
participação no esporte traz”, disse ela.
L
"O COI não deve demorar um
dia a mais para remover o Talibã do Movimento Olímpico, retirar seu status e
interromper o financiamento que o COI fornece, o COI sempre diz que os atletas
são o coração do Movimento Olímpico, mas e as mulheres e meninas do
Afeganistão? Elas também são atletas e não receberam assistência significativa
do sistema olímpico”, completou Worden.
Funcionários do Talibã prometeram ao COI em novembro do ano passado que os atletas e times afegãos teriam permissão para competir internacionalmente. No entanto, as preocupações aumentaram com a crise humanitária em curso no país e o progresso na participação das mulheres no esporte tem sido limitado.
A equipe afegã presente nos Jogos
Islâmicos de Solidariedade, em Konya, na Turquia, realizado no início deste ano
foi representada por mais mulheres do que homens, fato esse que o presidente do
COI, Thomas Bach, disse ser "boas notícias e não tão boas" visto que
todas as mulheres participantes viviam fora do país que representavam.
Em outubro, o chefe de relações
internacionais e governança do COI em seu departamento de relações com o NOC,
Jérôme Poivey, afirmou que a organização havia recebido um "compromisso
claro" com a participação de equipes mistas nos Jogos Asiáticos de
Hangzhou 2022 e nas Olimpíadas de Paris 2024.
A Human Rights Watch acusou o COI
de uma resposta inadequada à "privação dos direitos de mulheres e meninas
atletas", apesar de seu envolvimento com o Talibã, e afirmou que "não
há evidências de que o financiamento solidário ou humanitário do COI tenha
alcançado atletas, sejam homens ou mulheres". Também foi dito que há o
temor de que a proibição do esporte feminino no Afeganistão seja
"provavelmente permanente" e sugeriu que o COI não aplicou sua
Estrutura Estratégica de Direitos Humanos aprovada em setembro neste caso.
O Afeganistão fez sua estreia olímpica em Berlim em 1936, foi banido dos Jogos Olímpicos de 2000 em Sydney devido à discriminação do governo talibã contra as mulheres e sua oposição a elas praticarem esportes. A volta aos jogos foi em Atenas em 2004, quando a equipe incluiu pela primeira vez mulheres, a judoca Friba Rezayee e a velocista Masoud Azizi.

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