Passado pouco mais de um ano da realização dos Jogos de
Tóquio 2020, o legado olímpico do Japão pode ser ofuscado por um escândalo de
suborno que ameaça inviabilizar a candidatura de outra cidade japonesa, no caso
Sapporo, de sediar os Jogos de Inverno em 2030.
As autoridades de Sapporo, na ilha principal de Hokkaido, no
extremo norte do Japão, estão promovendo sua candidatura para os Jogos de
2030. Enquanto isso, a polícia japonesa prendeu Haruyuki Takahashi,
ex-executivo das Olimpíadas de Tóquio, por suspeita de aceitar subornos em
troca de ajudar empresas a se tornarem patrocinadores oficiais para o evento do
ano passado.
A chefe do Comitê Organizador de Tóquio, Seiko Hashimoto,
reconheceu que as alegações de corrupção podem afetar negativamente as
chances de Sapporo. Ela descreveu a situação como “muito grave” e diz esperar
que os investigadores cheguem ao fundo das alegações de 2020 o mais rápido
possível. “A importância e o valor dos Jogos de Tóquio foram questionados”,
acrescentou ela, segundo a agência de notícias Kyodo.
O ex-executivo, Takahashi, negou as acusações. Ele teve um
papel fundamental na seleção de patrocinadores, e foi indiciado no mês passado
pela quarta vez, junto ao ex-diretor sênior da maior agência de publicidade do
Japão, Dentsu, suspeito de aceitar 198 milhões de ienes (cerca de £ 1,2 milhões
de libra) em subornos de cinco empresas.
Ao todo, 15 pessoas foram indiciadas pelo escândalo,
incluindo o ex-presidente de uma fabricante de bonecas com sede em Tóquio que
produziu os mascotes olímpicos e paraolímpicos, além de ex-executivos e atuais
da Aoki Holdings, uma varejista de ternos que fornecia aos japoneses uniformes
da equipe e uma editora e agência de publicidade.
Em uma outra linha de investigação, a polícia invadiu a sede
da Dentsu no final do mês passado, em conexão com alegações de que licitações
foram fraudadas para decidir quais empresas trabalhariam em eventos-teste para
os Jogos de Tóquio, que foram adiados por um ano devido à pandemia de
coronavírus.
A Dentsu foi fundamental para ajudar Tóquio a vencer os
Jogos de 2020 quando o Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu a
cidade-sede em 2013. A empresa então garantiu um patrocínio doméstico recorde
no valor de cerca de 376 bilhões de ienes (£ 2,25 bilhões de libra) - três
vezes o arrecadado para Londres 2012, o recordista anterior.
A candidatura de Sapporo, aos Jogos de Inverno, é vista como a favorita na disputa com seu único rival, Salt Lake City, nos Estados Unidos, mas
sua campanha foi ofuscada por manchetes negativas sobre Tóquio 2020. Vancouver
desistiu de sua candidatura em outubro depois de não receber apoio do governo
da Colúmbia Britânica. O COI deve decidir a cidade-sede em outubro próximo.
O jornal Asahi Shimbun disse que o escândalo aponta para uma
“falta crucial de compromisso com a justiça e a transparência”, embora uma
pesquisa realizada no início deste ano tenha dito que a maioria dos residentes
de Hokkaido apoiou a candidatura de Sapporo 2030.
“Se as alegações
forem verdadeiras, trata-se de um escândalo extraordinário envolvendo quase
todas as partes. Não é de admirar que o escândalo esteja despertando uma
profunda desconfiança pública. Uma nova candidatura não pode ganhar apoio
público a menos que os problemas estruturais por trás do escândalo sejam corrigidos”,
disse o jornal em um editorial esta semana.
O presidente do COI, Thomas Bach, tentou se distanciar do escândalo. Ele não compareceu à cerimônia de outubro no estádio nacional de Tóquio para marcar o primeiro aniversário das Olimpíadas e Paraolimpíadas, citando um conflito de agenda, mas afirmou em um comunicado que tem total confiança nas autoridades japonesas e também nos auditores do comitê organizador. “O COI tem todo o interesse no esclarecimento completo deste caso.”

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