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| Foto: Twitter / @WorldAquatics |
Nós temos um campeão mundial com 42 anos e ele vai parar. Chegou a hora do brasileiro Nicholas Santos sair da piscina. E foi do jeito que a gente esperava, do jeito que ele escolheu: feliz e orgulhoso pela trajetória, tetracampeão mundial e recordista inquestionável. Depois de competir em mais de 40 países, chegou a hora do vovô-garoto pendurar o óculos, a sunga e a toca.
A despedida de Nicholas Santos veio com a conquista da medalha de ouro nos 50m borboleta no Mundial de natação de piscina curta (25m), disputada no dia 14 de dezembro de 2022 em evento realizado em Melbourne, na Austrália. O brasileiro tornou-se o atleta mais velho a subir no lugar mais alto do pódio, superando a sua própria marca. Nicholas ainda bateu o recorde do campeonato ao completar a prova em 21s78.
Para alguns a hora de parar chega mais cedo, o esporte de alto rendimento exige demais e não é comum na natação um atleta se manter entre os melhores do circuito por tanto tempo. Dedicar tanto tempo a uma alimentação regrada e treinos diários buscando sempre a sintonia entre corpo e mente é façanha que inspira atletas de várias modalidades.
A primeira medalha de ouro em mundiais veio tarde, aos 32 anos, e parecia indicar que Nicholas Santos alcançava o ápice da carreira ali em 2012. Mas o brasileiro se manteve no topo, entre os melhores nadadores do mundo pelos últimos 10 anos, e então chegou o dia em que se posicionou pela última vez, deu tudo nas últimas braçadas, se esticou para a batida final, do momento final, olhou o telão e vibrou mais uma vez, vibrou como se fosse a primeira vez, fez tocar o hino de seu país na sua última vez competindo e acabou. De começar...
Desde que, através do Trófeu José Maria Finkel, Nicholas Santos garantiu presença no Mundial de Piscina Curta, em Melbourne, já era sabido que a aposentadoria do “vovô-garoto” era algo possível de acontecer. E veio com um tetracampeonato mundial nos 50m borboleta. Ele ainda poderia ir mais longe.
E vai. Agora Nicholas vai poder ir mais longe, vai poder ir mais fundo, vai poder o que ele quiser. Ao longo da sua carreira, Nicholas Santos conseguiu conciliar as piscinas com os estudos, é formado e pós-graduado em Fisioterapia e tem ainda um MBA com ênfase em empreendedorismo. Vai poder dedicar um tempo também para auxiliar os atletas de alto rendimento, usando a sua experiência prática e acadêmica para auxiliar os atletas em preparo físico, psicológico e nutricional. O manager Nicholas agora está pronto para se dedicar ao novo trabalho.
Nicholas também vai poder curtir ser pai em tempo integral, ser o amigo ainda mais presente nos grandes momentos da família e dos amigos, se dedicar a quebrar recordes de brincadeiras, fazer as melhores marcas de sorrisos, ensinar sobre a vida, sobre o tempo, sobre ser semente e sobre a boa colheita.
A prova dos 50m borboleta não estão no programa olímpico, mas as marcas de Nicholas são tão impressionantes, que ainda assim ele deixou sua história marcada na natação brasileira e mundial.
Veja os principais números de Nicholas Santos:
- Conquistou Quatro medalhas em Mundiais de piscina longa: três de prata e uma de bronze, todas nos 50m borboleta, em edições consecutivas.
- Mais velho a conquistar uma medalha no Mundial de piscina longa, em 2022, aos 42 anos, marca que já era dele. Também o mais velho a vencer na piscina curta, em 2022.
- Foi o segundo nadador brasileiro a completar os 50m livre abaixo de 22 segundos.
- Recordista mundial dos 50m borboleta em piscina curta: 21.75, na Copa do Mundo na Hungria em 2018.
- Conquistou 12 medalhas em mundiais de piscina curta: seis de ouro, três de prata e três de bronze. 7 dessas medalhas em provas individuais.
- Recordista dos 50m borboleta no Mundial de piscina curta: 21.78, em 2022.
- Segundo brasileiro com mais medalhas no Mundial de piscina curta, atrás apenas de César Cielo.
- Primeiro nadador sul-americano a completar os 50m livre abaixo de 21 segundos na piscina curta.
- Conquistou três medalhas em Jogos Pan-americanos: duas de ouro e uma de prata.
- Disputou dois Jogos Olímpicos: Beijing 2008 – com 16º lugar nos 50m livre – e Londres 2012 – parte do revezamento 4x100m livre que terminou em nono.

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