Últimas Notícias

Ucrânia ameaça boicotar Paris 2024 se atletas russos e belarusianos participarem

Foto: REUTERS


A Ucrânia ameaçou na quinta-feira (26) boicotar os Jogos Olímpicos de 2024, em Paris, caso os atletas russos e bielorrussos possam disputar o evento, após a abertura manifestada pelo Comité Olímpico Internacional (COI).

"Essa situação é inaceitável para o nosso Estado", disse o ministro do esporte ucraniano, Vadym Goutzeit, comentando a eventual queda nas sanções aos competidores de ambos os países cúmplices na invasão à Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022.

Na quarta-feira (25), o COI admitiu uma reintegração dos atletas das duas nações no esporte mundial, embora mantenha as sanções às estruturas políticas e desportivas.

Hoje, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, admitiu que queria que russos e belarusianos competissem sob bandeira neutra, à semelhança do que defende o COI. A responsável entende que "este é o momento dos esportistas" pelo que defende que estes "não devem ser privados da sua competição". "A nossa posição permanece inalterada: enquanto a guerra continuar na Ucrânia, os atletas russos e bielorrussos não devem participar em competições internacionais. Se não formos ouvidos, não excluo a possibilidade de boicotarmos e nos recusarmos a participar nos Jogos Olímpicos", retrucou o ministro ucraniano, no Facebook.

O governo ucraniano tem pressionado o COI e outras organizações internacionais para fazer vingar a sua posição, sendo que na terça-feira (24) o presidente Volodymyr Zelensky exigiu mesmo ao seu presidente francês Emmanuel Mácron o banimento dos dois países.

Quarta-feira, e após consultar representantes de atletas, federações internacionais e comitês olímpicos nacionais, o COI disse que "nenhum atleta deve ser banido da competição apenas com base no seu passaporte". Entretanto, o Conselho Olímpico da Ásia propôs-se a integrar desportistas russos e bielorrussos nas suas competições regionais, incluindo de classificação para Paris 2024, expressando o seu apoio à posição do COI.

Em sentido contrário à intenção de "explorar" vias de reintegração dos atletas russos e belarusianos, vários países, incluindo o Reino Unido e a Dinamarca, condenaram a iniciativa do COI, com a ministra britânica da cultura, Michelle Donelan, a considerar que a mesma estava "muito distante das realidades da guerra". "Condenamos qualquer movimento que permita ao presidente (russo) Vladimir Putin legitimar a sua guerra ilegal na Ucrânia. O próprio presidente do COI (Thomas) Bach condenou a Rússia há menos de um ano por violar a trégua olímpica e pediu para 'dar uma chance à paz'", recordou Donelan.

Já o presidente do Comitê Olímpico dinamarquês, Hans Natorp, enfatizou o fato de o seu país continuar a opor-se fortemente ao regresso da Rússia ao mundo olímpico. "A agressão russa na Ucrânia está sendo intensificada. Nestas circunstâncias, seria inaceitável permitir que a Rússia e Belarus participem em eventos esportivos. Mantemos firmemente a nossa posição. Ainda não é hora de considerar o seu regresso", vincou, numa mensagem no Twitter.

O comité organizador de Paris'2024 não tem poder de decisão e o COI recordou, quarta-feira, que a "autoridade única" na matéria cabe às federações internacionais.

0 Comentários

Digite e pressione Enter para pesquisar

Fechar