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Brasil se despede da etapa de Alexandria da Copa do Mundo de Judô Paralímpico com um ouro e cinco bronzes

Rebeca, Arthur e Alana segurando a bandeira do Brasil
Foto: Divulgação/CBDV


O Brasil se despediu na terça-feira (14) da etapa de Alexandria (EGY) da Copa do Mundo de Judô Paralímpico com um ouro e seis bronzes.

O potiguar Arthur Silva, 31, foi o grande destaque do país ao ficar com a medalha de ouro na categoria até 90kg para atletas da classe J1 (cegos totais).

"Muito obrigado à minha esposa e à minha filhinha, que estão em casa, à toda minha família, aos meus apoiadores, patrocinadores. Este troféu é nosso, essa medalha é nossa. Estamos juntos, valeu!", celebrou Arthur, que teve retinose pigmentar e começou a perder a visão aos dois anos.

Desde as mudanças nas regras da modalidade, no início do ano passado, o brasileiro vem se mostrando quase imbatível em sua categoria: ganhou as cinco etapas de Grand Prix realizadas de lá pra cá e foi bronze no Mundial do Azerbaijão.

Líder do ranking, ele chegou à conquista desta terça-feira após derrotar três oponentes: o iraquiano Taha Al-Gburi (12º do mundo), o ucraniano Eduard Tropinov (25º) e o britânico Daniel Powell (5º).

Quem também segue no topo de sua categoria e somando pontos importantes na corrida por uma vaga nos Jogos é Rebeca Silva, 22. Em duelos rápidos, ela despachou a oitava do ranking, Dursadaf Karimova, do Azerbaijão, e a norte-americana Katie Davis, sétima do mundo. Na decisão, voltou a encarar Carolina Costa, algoz da brasileira no primeiro Grand Prix do ano, em Portugal. Mais uma vez, a italiana, vice-líder do ranking, levou a melhor.

O último pódio brasileiro no Egito veio com a campeão paralímpica e bicampeã mundial Alana Maldonado. A chave com cinco judocas previa confrontos de todas contra todas, e a brasileira largou bem ao derrotar a georgiana Ida Kaldani, justamente a oponente que batera na decisão dos Jogos de Tóquio, em 2021. O duelo seguinte foi contra a chinesa Yue Wang, nova na categoria – lutava no extinto peso até 63 kg, pelo qual foi bronze em Tóquio e no Mundial de Portugal, em 2018. O equilibrado combate acabou vencido pela asiática no golden score, como é chamada a prorrogação na modalidade, que ainda terminou com Alana sentindo um desconforto no joelho direito. Sem condições, ela ainda voltou para o terceiro duelo, contra Khanim Huseynova, do Azerbaijão, a quem vencia até desistir da luta por precaução.

Depois de serem medalhistas de prata no primeiro Grand Prix da temporada, o gaúcho Marcelo Casanova (classe J2 até 90kg), de 19 anos, e o carioca Sergio Fernandes (J2 acima de 90kg), de 23 anos, chegaram às disputas do bronze no Egito, mas acabaram perdendo seus confrontos.

Marcelo, uma das promessas da modalidade, acabou superado pelo cazaque Zhanbota Amanzhol, segundo do ranking mundial (o brasileiro é o terceiro na lista). Já Sérgio , quinto melhor de sua categoria, levou a pior também contra um oponente do Cazaquistão, Yerlan Konkiyev, décimo do ranking.

A paraense Larissa Silva foi outra atleta da Seleção a lutar nesta terça-feira, mas acabou perdendo seus dois duelos na categoria até 57 kg pela classe J1 e ficou fora da briga por pódio.

País fatura três bronzes na segunda-feira

 
Na segunda-feira (13), o Brasil conqusitou as três primeiras medalhas na etapa egípcia do circuito. Os resultados foram obtidos pela atleta potiguar Rosi Andrade (até 48 kg para atletas J1, com deficiência visual total), pela paulista Lúcia Araújo (até 57 kg J2, para atletas com baixa visão) e pelo manauara Elielton Oliveira (até 60 kg J1).

Além dos atletas que chegaram ao pódio, também lutaram Giulia Pereira (até 48 kg J2), que perdeu seus dois combates, Rayfran Pontes (até 73 kg J1) e Thiego Marques (até 60 kg J2). Os dois últimos conseguiram chegar às disputas pelo bronze, mas perderam as respectivas lutas e ficaram fora da premiação.

Elielton Oliveira, de 26 anos, campeão no Grand Prix de Almada, passou pelo uzbeque Sukhrob Shukurov na estreia, mas acabou surpreendido pelo uruguaio Henry Borges, 11º do ranking mundial, na luta seguinte. O brasileiro, atualmente segundo melhor do mundo em sua categoria, precisou vencer dois combates – contra o cazaque Temirbolat Tashekenov e o chinês Shiwen Zhu –, na repescagem, para se qualificar à disputa pelo bronze. Ele levou a melhor sobre Diyorbek Maydonov, do Uzbequistão, e conquistou sua segunda medalha na temporada.

Lúcia Araújo, 41, e Rosi Andrade, 25, também conquistaram a segunda medalha do ano. As duas, que haviam sido bronze em Portugal, repetiram o feito no Egito. Lúcia, quarta no ranking mundial, derrotou a chinesa Shuming Lin na estreia, mas acabou superada pela cazaque Dayana Fedossova, segunda melhor do mundo, na semifinal. Na luta pelo terceiro lugar, ganhou da japonesa Junko Hirose.

"Quero agradecer a todos pela torcida, em especial à Confederação Brasileira de Desportes de Deficientes Visuais (CBDV), que tem dado todo o suporte a nós atletas. Essa conquista é um ponto a mais na somatória para os Jogos Paralímpicos de Paris", destacou Lúcia.

Rosi, por sua vez, que chegou a Alexandria no topo da sua categoria, passou pela uzbeque Shoira Khamidova na primeira luta e perdeu para a chinesa Derong Chen na semifinal. No combate pelo bronze, derrotou a alemã Anna Tabea Muller. "Mais um bom resultado, estou muito feliz e grata a todos que me ajudam a conquistar cada medalha: CBDV, comissão técnica, minha família e todos que estão junto comigo nessa", disse.

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