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Letônia suspende financiamento estatal de atletas que participaram de eventos com russos

Equipe de Tênis feminino da Letônia em pose para foto
Foto: www.tennismagazin.de

 

O Comitê Olímpico da Letônia (LOK) suspendeu o financiamento estatal a cinco atletas, incluindo a tenista Jeļena Ostapenko e os ciclistas Tom Skujiņš e Kristas Neiland, como punição por sua participação em competições que incluíam competidores da Rússia e de Belarus.

 

O secretário-geral do LOK, Kārlis Lejnieks, confirmou que o subsídio mensal da Unidade Olímpica da Letônia (LOV) será suspenso a partir deste mês. Os fundos podem ser retomados após consulta ao Ministério do Interior e outras instituições relevantes.

 

Essa ideia foi apresentada pela primeira vez pelo Ministério da Educação e Ciência do país após a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022. Os países também cortaram relações com Belarus, que tem um forte relacionamento com a Rússia e supostamente permitiu que tropas treinassem em seu país.

 

Ostapenko foi campeã do Aberto da França em 2017, semifinalista em Wimbledon em 2018 e 2022 e no Aberto da Austrália em 2022.

 

O ciclista Neiland, que corre para a Israel-Premier Tech, ficou insatisfeito com a decisão do LOK. "Definitivamente não é uma solução que nosso governo esteja atacando nossos próprios atletas. Vejamos a mesma Ucrânia, que não impede que seus atletas compitam com atletas da Rússia e de Belarus, e sob bandeira neutra. Então, por que nosso governo deveria nos proibir?”

 

Neiland ressaltou ainda que o governo do país deveria ir atrás das organizações esportivas, que no caso do ciclismo é a União Ciclística Internacional (UCI), mas preferem ir atrás  dos atletas. "Minha equipe é meu empregador, é meu trabalho e é assim que ganho meu pão. O que posso fazer?"

 

O Parlamento da Letônia, o Saeima, proibiu as equipes esportivas de competir em campeonatos nacionais e copas que acontecem na Rússia e em Belarus. Eles também proibiram as equipes letãs de competir em ligas internacionais, onde mais da metade das equipes são russas ou bielorrussas.

 

Tom Skujiņš, que compete pela equipe Trek Segafredo e representou a Letônia nos Jogos Olímpicos de 2016 e 2020 no Rio de Janeiro e em Tóquio, não tem certeza de como a situação se desenrolará no futuro, mas está otimista de que a proibição será revertida a tempo para o Campeonato Mundial da UCI, em Glasgow, no mês de agosto. "Neste momento, há mais perguntas do que respostas", disse ele.

 

O presidente do LOK, Georges Tikmers, alertou que o país vai boicotar os Jogos Olímpicos do próximo ano em Paris se a Rússia e Belarus forem liberadas para competir.

 

O russo Andrei Chesnokov, semifinalista do Aberto da França em 1989, criticou a decisão. “Eu não entendo isso, esta decisão só agrava as relações entre as pessoas, semeia mais inimizade, ódio. Esta é uma decisão terrível, não tenho ideia do que vai acontecer a seguir. É bem possível que as pessoas sejam multadas ou julgadas por ler os livros de Chekhov ou ouvir a música de Tchaikovsky.”

 

Chesnokov ressaltou que não há como os tenistas deixarem de se comunicar, eles se veem constantemente nas competições. "Eu mesmo conversei com Ostapenko, com a mãe dela, eles têm uma família maravilhosa, todos falam russo, talvez também devessem ser multados por isso? É um absurdo privá-los de financiamento só porque jogam com os russos."


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