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| Foto: William Lucas/COB |
A quantidade de medalhistas olímpicos por metro quadrado foi alta na Vila Olímpia - quase Olímpica - na noite desta quinta-feira, 18, em São Paulo. A cerimônia de gala realizada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) homenageou sete atletas que foram escolhidos em 2022 para integrar o Hall da Fama da entidade, inciativa criada em 2018 para valorizar os esportistas que fizeram história defendendo as cores brasileiras no esporte olímpico.
Manoel dos Santos, da natação, Marcelo Ferreira, da vela, Melânia Luz, do atletismo (homenagem póstuma), Renan Dal Zotto, do vôlei, Ricardo Prado, da natação, Walter Carmona, do judô, e Yane Marques, do pentatlo moderno, estiverem presentes e foram os homenageados da noite, assim como Zagallo, que entrou para o Hall da Fama em 2020. O medalhista de bronze em Atlanta 1996, no entanto, não pode comparecer ao evento.
Dentre as várias emoções da noite, a primeira começou logo na zona mista, durante as entrevistas. Renan Dal Zotto, quando perguntado pelo Surto Olímpico sobre o significava estar ali, sendo homenageado, depois do momento dificílimo que passou durante a pandemia, quando ficou 40 dias internado, perdeu 20kg e chegou a acordar sem o movimento das pernas, o técnico da seleção masculina de vôlei emocionou-se e, com os olhos marejados, respondeu:
Hoje é o momento de reflexão, de olhar para trás e ver tudo que foi construído. E o esporte traz muitas alegrias, muitas frustrações e um aprendizado que, através de esporte, a gente pode ganhar sempre, mesmo quando se perde. Só que, em alguns momentos, eles são duros, né? Quando você lembrou do covid ali, foi bem difícil para mim, principalmente para minha família e amigos. Enfim, consegui superar. Graças a Deus, estou aqui presente. Nesse momento tão especial, é só orgulho e gratidão por tudo que vem acontecendo no esporte brasileiro e na minha vida.
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| Renan Dal Zotto, prata em Los Angeles 1984 como atleta e atual treinador da seleção brasileira masculina de vôlei. Foto: William Lucas/COB |
Com a incorporação desses oito atletas, o Hall da Fama do COB tem agora 35 esportistas eternizados. Os pés e mãos de todos foram gravados e serão exibidos na nova sede da entidade, que ainda não tem data para ser inaugurada.
Confira o que os homenageados da noite disseram em entrevista ao Surto Olímpico:
Manoel dos Santos - medalha de Bronze nos 100m livres nos Jogos Olímpicos de Roma 1960
Manoel, qual é o sentimento de ser homenageado hoje, junto de tantos atletas também muito vitoriosos?
Eu não tinha mais essa expectativa, porque eu já tô com 84 anos e daqui a pouco tô indo embora, então não tinha nenhuma expectativa de ser lembrado agora.
Qual sua relação com a natação atualmente? Ainda acompanha de perto os campeonatos profissionais ou desligou-se por completo?
Eu trabalho com esporte, eu tenho uma academia de natação, mas estou completamente desligado dessa coisa [profissional]. [Estou ligado] um pouco mais na parte recreativa do esporte, ali no dia a dia das pessoas. Falo o seguinte: toda criança que aprende a nadar na minha academia, eu ganho uma medalha.
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| Manoel dos Santos exibe placa feita durante a homenagem no Hall da Fama. Foto: William Luucas/COB |
Yane Marques - medalha de bronze no pentatlo moderno nos Jogos Olímpicos de Londres 2012
Você é a presidente da Comissão de Atletas do COB. Qual a importância dessa Comissão e como estão sendo os trabalhos?
A gente continua no processo de maturidade e de aprendizado. A busca é sempre por uma representação muito responsável e comprometida. O sentimento é que a gente tá no caminho certo. Temos cartilha, fórum anual, conseguimos fazer nascer o nosso filho, um sonho. Agora, eu quero curso para os futuros membros de comissão de atletas. Conquistamos muita coisa a nível de representatividade, o que é muito positivo, pensar, refletir e perceber que o trabalho está no caminho certo. Estamos fazendo valer a pena o voto que os atletas nos deram para ser a representação deles no COB.
O pentatlo moderno está passando por algumas alterações, principalmente em relação ao hipismo. Como ex-atleta, qual sua opinião sobre essas mudanças?
Eu não gostei da mudança, mas ao mesmo tempo eu entendo a necessidade. O Hipismo no pentatlo era minha grande paixão. E eu acho que era a prova que exigia do atleta muita sensibilidade, muita adaptabilidade, já que o cavalo é sorteado. Mas isso foi uma exigência do COI e naturalmente a gente precisou acatar para continuar sendo esporte olímpico, então [a decisão] foi fácil, muito embora a gente não quisesse que isso acontecesse.
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| Yana Marques concede entrevista no tapete vermelho do Hall da Fama. Foto: William Lucas/COB |
Ricardo Prado - medalha de prata nos 400m medley nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 1984
Ricardo, olhando em perspectiva para sua carreira, quais são os três momentos que você destaca?
Acho que é muito fácil. A minha medalha olímpica é um marco na minha carreira. O meu recorde mundial também, dois anos antes, quando eu tinha 17 anos, e os Jogos Pan-Americanos de 1983, que ficou bem entre essas duas conquistas. Esses foram três momentos muito marcantes, foram as minhas melhores competições, em 1982, 1983 e 1984.
Tendo sido atleta e agora tendo a oportunidade de ser gestor [Ricardo é diretor esportivo da CBDA], quais são as principais mudanças que você vê na natação?
O esporte ficou mais profissional. Hoje, os atletas vivem disso, podem se dedicar somente a isso. [Antes] a gente treinava enquanto estudava, não tinha perspectiva de viver de natação. Hoje é um esporte profissional, com melhores estruturas que a Confederação, a CBDA, e o próprio Comitê Olímpico Brasileiro oferecem, que são estupendamente profissionais. Então, aqueles que conseguem chegar no alto rendimento realmente tem uma vantagem muito grande para dali pular para ser um dos melhores do mundo.
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| Ricardo Prado em discurso de agradecimento. Foto: William Lucas/COB |





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