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Coluna Buzzer Beater - O basquete feminino está muito vivo!

FIBA/Divulgação


O Basquete feminino do Brasil está em festa. Afinal, a seleção comandada por José Neto conseguiu um título relevante, algo que não vinha desde 2011: A Americup, a finada Copa América. E se em 2019, quando veio o ouro nos jogos Pan-americanos de Lima e veio aquele sentimento de início de retomada, agora o sentimento é outro: o de que a seleção tem boas ferramentas alçar voos maiores.

Já digo que a principal principal virtude é que temos um garrafão com potencial de ser um dos mais temidos do mundo. Kamilla Cardoso é uma pivô sensacional, forte defensivamente, ótima no pick and roll e brigadora nos rebotes, principalmente nos de ataque, o que faz ela sempre estar no topo na tabela de pontos. Kamilla foi o grande nome do Brasil na Americup ao lado de Damiris, craque já comprovada e que agora terá mais espaços porque as rivais tem que se preocupar com mais gente dentro da área pintada. 

Kamilla e Damiris, uma senhora dupla de pivôs (FIBA/Divulgação)


Manu também foi incrível nessa Americup. uma jogadora que pode jogar nas posições 4 e 3 - o que é ótimo para fazer uma formação mais alta, dando muita profundidade ao elenco. Ela inclusive é da geração Sub16 que venceu os Estados unidos na copa América da categoria em 2015 e é bom demais ver alguém daquela geração já contribuindo tão bem na seleção adulta. E ainda falta a Stephanie Soares, que contundida não esteve na competição. Se conseguirmos juntar todos esse nomes, vamos ter um senhor garrafão no ataque e na defesa.

José Neto é um dos principais responsáveis por esse renascimento da seleção feminina (FIBA/Divulgação) 

E a defesa é outro ponto a ser destacado. A intensidade dessa seleção na defesa é lindo de ver. Trocas bem feitas, dobras de marcação bem executadas, o que mostra que é uma seleção muito treinada e bem preparada fisicamente, todo o mérito para José Neto - um treinador excepcional  e sua comissão técnica. Pra não dizer que é só elogios, acho que às vezes faltou mais atenção nos rebotes defensivos, Kamilla salvou muito a pátria ali, mas ela não é onipresente (mas é quase kkk). Mas é algo claramente mais tranquilo de ser corrigido.

Agora o desafio é o pré-olímpico mundial e o Brasil tem chances sim de ir para Paris. Claro que vai depender de fatores como sorteio, e acho que se a CBB tiver condições, tem que brigar e muito para conseguir ser uma das sedes. E de preferência, usar alguma cidade do nordeste como sede, para usar o calor como fator a mais para prejudicar as rivais, já que o Pré-olimpíco vai ser em fevereiro. São Luis com uma bela Arena recém inaugurada e Recife, que sediou a Americup masculina, são ótimos locais ao meu ver que pode ter o apoio maçico da torcida e aquele calor escaldante pra transformar o ginásio em um verdadeiro caldeirão.


Outra coisa que a CBB precisa é alinhar um bom planejamento com a comissão técnica. Porque a equipe não pode chegar mais ou menos para decidir a vaga, as jogadoras vão ter que chegar na ponta dos cascos. Serão apenas três jogos e o erro terá que ser zero. O último pré olímpico de Tóquio e o pré-mundial (nunca vou me conformar com um mundial com 12 seleções no feminino e 32 no masculino) já ensinaram essa dura lição e elas não podem mais ser repetidas. Tudo terá que ser muito bem executado dessa vez porque esta seleção feminina precisa e merece avançar mais um degrau em sua evolução.

Em mais de dez anos de Surto Olímpico, eu escrevi muito sobre lamentações, erros, vexames e muitas tristezas do basquete brasileiro e é bom demais ver algum momento de sucesso da nossa seleção. É  algo para ser muito celebrado. E daí que a seleção dos Estados Unidos era a universitária? O Brasil fez sua parte - com uma MVP que também é universitária - e mostrou que tem condições sim de brigar para estar em uma olimpíada e um mundial, só manter o bom trabalho e ninguém se lesionar (bate na madeira três vezes). O túnel que parecia sem fim começa a aparecer uma pequena luz em seu final. 

PS: nove das doze jogadoras campeãs  atuam na LBF (Liga de Basquete feminino), apesar de menos glamorosa em relação ao NBB, a liga está fazendo sua parte. tomara que o sucesso da seleção traga mais visibilidade e investimento para os clubes.

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