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Medalhista olímpico, Leandro Guilheiro afirma que atuais regras estão asfixiando o judô

Medalhista olímpico, Leandro Guilheiro afirma que regras estão asfixiando o judô
Isabela Lemos/FPJCOM


Medalhista olímpico, o ex-judoca Leandro Guilheiro afirmou em uma mesa-redonda que as regras estão asfixiando a modalidade.

A mesa-redonda aconteceu durante durante um evento organizado pela Federação Paulista de Judô na cidade de São Paulo no último dia 18.

Guilheiro, bronze em Atenas 2004,  disse concordar com o sensei Hatiro Ogawa, que havia falado e afirmado que hoje é difícil até para os árbitros lidarem com as regras, porque elas não complicam só a vida do competidor e do treinador, mas o próprio judô. “Enquanto outros esportes buscam o lado mais objetivo e prático, estamos vendo um número cada vez maior de regras sujeitas à interpretação do árbitro. Como distinguir um falso ataque de um ataque efetivo? Em muitos casos a regra do judô hoje é dúbia.”

Cansado de ver atletas preocupados não em buscar uma projeção, mas em buscar três shidôs para os adversários, Guilheiro desabafou: “Acho que esta é a raiz de todos os problemas do judô competitivo. Estamos vendo várias lutas terminadas em 40 segundos com três shidôs. A principal meta dos atletas deixou de ser o ippon, para ser os três shidôs. Os mais experientes sentem isso quando encaram judocas mais jovens, que já vêm escolados nessa prática”.

E contou que ele mesmo passou por essa situação: “Tive uma lesão grave, fiz quatro cirurgias e fiquei dois anos afastado. Quando voltei a competir a regra já tinha mudado várias vezes, tanto que no final da minha carreira eu acabei perdendo por três shidôs. Se o atleta faz uma entrada e o adversário dá um passe para o lado, já leva um shidô. É realmente o antijudô e uma forma de engessar a modalidade.”

O ex-judoca tornou-se comentarista de judô a partir dos Jogos Rio 2016, e acha que o judô de hoje não é nada atrativo. “Como traduzir para um leigo o que está acontecendo? Quem assiste a uma luta de judô quer ver um ippon, assim como quem vai vai a uma luta de boxe fica atento aos nocautes, e assim por diante. Quantas lutas estão sendo definidas pela arbitragem? Então, quando nós estimulamos o judô com shidôs, nós não estamos estimulando o judô. Quantas vezes a regra é assimétrica pela forma como é aplicada?”

E exemplificou que dificilmente um atleta que já tiver um wazari a seu favor será punido com um terceiro shidô, mesmo que se jogue no chão. “E isso aconteceu agora, na final do campeonato europeu”, acrescentou. “O mais alarmante é que nenhum atleta ou treinador consegue entender o que está acontecendo.”

Para Guilheiro, várias situações relativas à arbitragem deveriam ser repensadas. “Existe sim uma série de regras que são oportunas, principalmente aquelas que protegem a integridade do atleta. Mas outras engessaram a nossa modalidade.”

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