Serge Grouard, prefeito de Orleans, no centro da França, queixou-se recentemente da chegada de até 500 migrantes sem-teto à sua cidade de 100 mil habitantes sem o seu conhecimento prévio. O prefeito disse ainda que havia rumores de que seria para "limpar o convés" na capital Paris antes dos Jogos Olímpicos em julho e agosto de 2024.
"Ficou provado que a cada três semanas um ônibus chega a Orleans vindo de Paris , com entre 35 e 50 pessoas a bordo", disse Grouard aos repórteres.
Paris é há muito tempo um local atrativo para requerentes de asilo e migrantes, principalmente vindos da África do Sul da Ásia ou do Oriente Médio, com procura de alojamento de emergência de curto prazo a exceder largamente a oferta.
Como resultado, acampamentos informais sob pontes ou em terrenos desocupados surgem regularmente em torno da capital, que são periodicamente demolidos pela polícia. É oferecida aos ocupantes a oportunidade de solicitar asilo e a política do governo é transferir muitos deles para fora de Paris e para instalações noutros locais do país.
O gabinete de segurança da região em que se encontra Paris garante que as chegadas a Orleans “não estavam ligadas à organização dos Jogos Olímpicos de Paris”, acrescentando que Orleans era um dos 10 “centros de recepção regionais temporários”.
“Não fomos consultados, nem sobre a criação nem sobre as pessoas que irão para lá”, disse a vice-prefeita de Estrasburgo, Floriane Varieras, quando questionada sobre uma instalação regional perto de sua cidade, no leste da França. “É aí que concordo com o prefeito de Orleans, o lado bastante opaco do que está acontecendo”, afirmou.
Em Janeiro, o o responsável por Lavaur, uma pequena cidade perto de Toulouse, no sudoeste de França, já havia emitido uma carta pública na qual denunciou a política de transferência de migrantes por todo o país como “irresponsável” e “perigosa”.
O presidente francês, Emmanuel Macron, apoiou a ideia de dispersar os requerentes de asilo e refugiados por todo o país durante um discurso em setembro de 2022. Macron chamou de "absurda" a política de longa data de concentração de migrantes em áreas de baixa renda das grandes cidades e argumentou que os refugiados poderiam ajudar a provocar uma "transição demográfica" nas zonas rurais e nas pequenas cidades da França.
Em Fevereiro, um grupo de 80 instituições de caridade francesas chamado Revers de la medaille (O outro lado da medalha) denunciou o que chamou de “limpeza social” de Paris antes dos Jogos Olímpicos, com esforços para remover migrantes, sem-abrigo e profissionais do sexo. As reclamações ecoaram como outras ouvidas nas cidades-sede das Olimpíadas anteriores.
As autoridades na China retiraram das ruas mendigos, vendedores ambulantes e sem-tetos antes dos Jogos de Pequim de 2008, e muitos deles foram enviados de volta para as suas regiões de origem, segundo relatórios da época, enquanto Grupos brasileiros também disseram que os moradores de rua do Rio de Janeiro estavam sendo forçados a sair das áreas turísticas no meio da noite, quando a cidade sediou os jogos em 2016.

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