Uma mulher foi desclassificada dos Jogos Olímpicos de Paris-2024 por ter se manifestado politicamente durante a sua participação. Essa mulher, uma afegã, não pôde representar o seu país pois vários direitos são cerceados à elas no Afeganistão, restando à b-girl Talash buscar competir pela equipe de Refugiados.
A força de Manizha Talash, que fugiu do Afeganistão devido às ameaças que vinha sofrendo do governo Talibã foi mostrada mais uma vez na capital francesa, na histórica Place de la Concorde. A afegã fez história ao participar da primeira batalha de breaking como esporte olímpico, ao enfrentar a b-girl Índia, dos Países Baixos, em Paris-2024.
É claro que India não teve problemas para vencer os três rounds da batalha e avançar na competição, em que acabaria na 4ª colocação. Talash, não perdeu a oportunidade de se manifestar e competiu com uma capa escrito “mulheres afegãs livres”. Em seus primeiros 11 minutos de história olímpica, o breaking e a cultura hip hop já haviam deixado a sua marca.
Em matéria reproduzida pela CNN, Talash ressaltou que não deixou o Afeganistão porque tenha medo do Talibã: “Saí porque quero fazer o que eu puder pelas meninas no Afeganistão, pela minha vida, meu futuro, por todos”.
Sob o governo do Talibã, o Afeganistão se tornou o país mais repressivo do mundo em relação aos direitos das mulheres, de acordo com as Nações Unidas, fechando escolas secundárias para meninas, proibindo mulheres de frequentar a universidade e restringindo suas viagens sem um acompanhante masculino, além da presença em espaços públicos como parques e academias.
Pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos, o Breaking fez parte do programa oficial de competições. Motivo de orgulho para a comunidade, mesmo que em algum ponto tenha se dividido entre esporte e dança, e ver ali, aquele movimento que surgiu nos guetos do Bronx na década de 1970, foi emblemático.
Assim como também foi cheio de significados a onda de críticas às performances da B-girl Raygun, da Austrália, que dominou o noticiário sobre a modalidade em Paris-2024 ressignificando o filme de gosto duvidoso “Don’t look up”.
Na versão olímpica do “Não olhe para cima” vale tudo, desde o ódio e a ignorância sob o véu do humor somados a falsas notícias sobre o sistema de ranqueamento olímpico e críticas aos critérios de universalidade que fazem os Jogos Olímpicos serem o que são. Mas não fale da refugiada...

1 Comentários
O véu da hipocrisia não foi proibido na França.
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